segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Florestas


É difícil imaginar como seria a sociedade atual sem os produtos oriundos das florestas, como papel, móveis, medicamentos e alimentos, além de seus derivados, como embalagens, aço e cimento. Mas a importância das florestas vai muito além dos insumos industriais fornecidos. Elas são fundamentais para a conservação e proteção da água do solo, a manutenção da biodiversidade, a recuperação de áreas degradadas e o sequestro de carbono.
Por isso, a gestão e o uso sustentável desses ecossistemas é um dos maiores desafios do planeta e, em particular, do Brasil, que possui a segunda maior área florestal mundial e a maior em florestas tropicais. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), as florestas ocupam aproximadamente 60% da área do País, o que equivale a cerca de 519,5 milhões de hectares, dos quais 512,8 milhões são naturais e 6,7 milhões são plantados.
Se no passado as notícias de desmatamento ilegal desenfreado no Brasil foram motivo de críticas e restrições em negociações internacionais, atualmente o País possui um protagonismo reconhecido na defesa da sustentabilidade. E está implantando projetos com o propósito de permitir a sobrevivência de comunidades com o uso sustentável dos recursos naturais.
Manejo florestal sustentável
Conciliar a utilização das florestas com a manutenção de sua biodiversidade, capacidade de regeneração e vitalidade para desempenhar suas funções ecológicas, sociais e econômicas é o principal foco de atuação do manejo florestal sustentável (MFS) em florestas naturais. O termo é utilizado para caracterizar um conjunto de procedimentos técnicos, gerenciais e administrativos que visam produzir madeira e produtos não madeireiros, em associação com outros tipos de produção, com o mínimo de danos à floresta. É uma alternativa ao manejo tradicional, não sustentável e muitas vezes executado de forma ilegal, ainda utilizado em algumas regiões brasileiras.
O MFS pode ser adotado em florestas naturais e plantadas, com diferentes modalidades de uso. E aplicado em propriedades de diversos tamanhos e ainda em comunidades tradicionais, em vários contextos. Também conhecido como o "bom manejo", preconiza a intervenção na floresta para produção de produtos madeireiros, mas preocupando-se com a aplicação de tratamentos silviculturais e de monitoramento para garantir a regeneração do ecossistema.
Já o manejo agroflorestal, ou silvipastoril, busca unir a produção agrícola sustentada com a utilização da floresta. Associações de agricultores familiares, assentados e comunidades tradicionais podem contar com o modelo de administração do manejo florestal comunitário e familiar, que é voltado para populações que tiram sua subsistência dos recursos renováveis das florestas.
Por sua vez, o manejo de uso múltiplo está apoiado no chamado triângulo da sustentabilidade (econômica, social e ambiental) e pretende maximizar a rentabilidade com a obtenção de produtos - madeireiros ou não -, aliada aos "serviços" da floresta. A Embrapa aposta nessas tecnologias, mas o problema é que nos modelos de manejo madeireiro os benefícios econômicos são inferiores no curto prazo, quando comparados a técnicas menos sustentáveis. Por isso, é necessário incorporar outros produtos de alto valor de mercado e adotar o conceito de pagamento por serviços ambientais (PSA), que consiste em remunerar o produtor que preserva a floresta.
Os desafios para a implantação de sistemas de MFS são muitos e passam por uma mudança de cultura do produtor, na capacitação técnica deles, no intervalo de tempo até a obtenção de resultados e na escala continental das florestas brasileiras. Porém, resultados obtidos em projetos realizados em todo o País indicam que o desenvolvimento de tais sistemas em pequenas e grandes propriedades pode ser um importante instrumento para promover a sustentabilidade.
Florestas plantadas
O Brasil possui um grande potencial para ampliar sua área de florestas plantadas, que contribuem para a redução do desmatamento das matas nativas. A produção das florestas plantadas é utilizada por vários setores industriais que, somados, participam com mais de 3% do PIB brasileiro. O plantio florestal tem também contribuído para a redução dos gases de efeito estufa e para o sequestro de carbono. É o caso dos sistemas silvipastoris, uma modalidade da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que combina o cultivo de pastagens com árvores e arbustos e ajuda na recuperação de pastagens degradadas e na conservação do solo e da água. Avaliações realizadas no Rio Grande do Sul demonstram que tal integração compensa o carbono liberado por quatro vacas por hectare, sendo que o histórico de lotação na região é de meio animal na mesma área.
O plantio de florestas comerciais é uma das metas do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O Programa ABC pretende incentivar o setor produtivo a aumentar a área de florestas plantadas no País para 9 milhões de hectares até 2020.
Estima-se que, em 2008, as árvores plantadas chegaram a sequestrar 10 toneladas de CO₂ por hectare. Além disso, a plantação de florestas gerou 2,2 milhões de empregos, sendo 630 mil diretos. Nos próximos 10 anos, o Brasil pode aumentar sua área de florestas plantadas dos atuais quase 7 milhões de hectares para cerca de 16 milhões, ampliando a participação do País no mercado mundial de 3,2% para 10%. Esse crescimento poderia ser traduzido em investimentos da ordem de R$ 40 bilhões e na criação de 200 mil empregos no meio rural. E em R$ 160 bilhões de investimento e 800 mil novos empregos nos demais segmentos da indústria consumidora de madeira. Tudo isso sem comprometer a produção de alimentos e as florestas nativas. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

HÚMUS LÍQUIDO: Como transformar o chorume em adubo


O húmus líquido apresenta-se como uma opção para a adubação orgânica em hortaliças, sendo obtido pela mistura de húmus sólido e água. Sua produção é fácil, tem baixo custo e requer pouca mão de obra. Além disso, possui uma composição rica em nutrientes e ácidos orgânicos que estimulam o crescimento das plantas, bem como micro-organismos que auxiliam o equilíbrio biológico do solo. Quando filtrado de forma adequada, o húmus líquido pode ser aplicado através do sistema de irrigação, inclusive sob cobertura plástica do canteiro, eliminando assim o problema da presença de sementes invasoras.
Húmus líquido, serve para uma agricultura de base ecológica. Esse tipo de adubo é uma opção para o cultivo de hortaliças, sendo obtido pela simples dissolução de húmus sólido de minhocas em água. Sua produção é fácil, tem baixo custo e requer pouco tempo do produtor para seu preparo. O húmus líquido pode ser aplicado com regadores manuais ou através do sistema de irrigação, mas é preciso evitar molhar as folhas de hortaliças ou frutos que são consumidos in natura. Diferentemente de um adubo mineral solúvel, o húmus líquido é um fertilizante vivo, que age a longo prazo, melhorando as características químicas, físicas e biológicas do solo. Quanto aos custos de produção, é praticamente zero, uma vez que o húmus pode ser feito com os resíduos que estão disponíveis em casa ou em uma propriedade. O húmus é um fertilizante vivo que, com o passar do tempo vai qualificar o solo, torná-lo mais vivo, menos suscetível às doenças, ao passo que o adubo mineral fará a planta produzir de uma forma mais rápida, porém exaure o solo e fragiliza as defesas das plantas.
Aproveitando o chorume como adubo
 O chorume orgânico também é adubo, só que em estado líquido. Para produzir este biofertilizante líquido é preciso:
 - recolher o chorume semanal ou quinzenalmente.
 - misturar o chorume na proporção de 1 (uma) parte de biofertilizante para 5 (cinco) a 10 (dez) partes de água.
 - agitar vigorosamente a mistura.
- deixar descansar durante dois ou três dias, agitando novamente a cada 24 horas, para que os nutrientes possam ser liberados para a água.
- coar com coador, tela ou tecidos de seda que retenha as partículas em suspensão. As eventuais partículas sólidas costumam ficar retidas no fundo do recipiente.
- para grandes áreas, que utilizam os gotejadores nas hortas, é aconselhável efetuar uma filtragem mais específica, para retirar as partículas mais finas, pois estas podem entupir os gotejadores. Para isso, poderão ser utilizados filtros de areia ou filtros de discos. 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Aprenda a fazer uma composteira


A Compostagem é um conjunto de técnicas aplicadas para controlar a decomposição de materiais orgânicos por meio da ação de microorganismos. Esse processo transforma o resíduo orgânico em composto estabilizado, rico em húmus e nutrientes minerais, com atributos físicos, químicos e biológicos superiores àqueles encontrados nas matérias primas, permitindo que seja utilizado como adubo.
Muito se fala em comer hortaliças para ter uma vida saudável. Entretanto, os alimentos que encontramos no supermercado podem não ser os mais indicados pelo processo de plantio e colheita que recebem. Para comer de forma segura, que tal começar em casa a produzir os alimentos vitaminados que devem compor a dieta?
A técnica da compostagem é um processo que transforma restos de comida e cascas de frutas em adubo para plantar. Por isso, ao produzir sua própria composteira, no apartamento ou em casa, fica fácil cultivar alimentos livres de agrotóxicos ao alcance de suas mãos.
Estrutura e Montagem
A composteira é uma estrutura com três caixas plásticas empilhadas. Elas podem ter diferentes tamanhos e cores, de acordo com a preferência do comprador.
A composteira caseira é formada por três caixas de plásticos empilhadas e interligadas por pequenos furos feitos ao fundo. A caixa inferior serve para escoamento e armazenamento de chorume, líquido formado durante o processo de decomposição do material orgânico. Nesta caixa existe uma torneira que serve para a coleta deste material. A caixa do meio é a digestora, nela será despejado todo o material orgânico (restos de comida) da sua casa. A proporção é sempre 2:1, ou seja, duas partes de material úmido (restos de alimentos) pra uma parte de material seco (serragem, por exemplo). Para acelerar o processo de decomposição, são coladas minhocas nesta segunda caixa. A terceira caixa, também digestora, será utilizada quando a segunda estiver cheia. As minhocas utilizam os furos para migrar para a caixa de cima, quando o processamento de todo o material chaga ao fim. Isso significa que ou composto já está pronto pra ser utilizado.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o chorume formado na composteira caseira não é contaminante. O líquido, também conhecido como “chorume do bem” deve ser utilizado na proporção de um litro de chorume pra dez litros de água. Ele também pode ser usado como biofertilizante.
O composto precisa ser mexido sempre que forem adicionados novos restos de alimentos. A oxigenação auxilia a ação dos microorgasnismos e é importante para evitar o mau cheiro. Além disso, o composto também precisa estar sempre úmido. O teste simples, de pegar o composto com a mão e apertá-lo é suficiente para saber se a umidade está boa o suficiente. Para estar na medida certa, a mão deve ficar úmida, mas não deve escorrer, no entanto, podem pingar algumas gotas. Se o líquido ainda estiver escorrendo, é preciso adicionar mais terra ou serragem para equilibrar. Do mesmo modo, se o composto estiver muito seco deve ser adicionado um pouco de água.
Observando as instruções acima e revolvendo sempre o material dentro do recipiente, o resultado será um ótimo composto e uma quantidade significativa de lixo reciclado.
Para que o processo de decomposição seja acelerado, evite descartar materiais grandes, antes de colocar em sua composteira, triture-o. Quanto menores forem os materiais, mais os microrganismos trabalham e mais rapidamente os materiais se decompõem.
Pra saber se a sua compostagem está funcionando adequadamente ela não deve cheirar mal e tem que ter um cheiro doce de terra. O mau cheiro pode ser causado pela adição de carnes, ossos ou estercos de cães e gatos, por isso esses materiais devem ser evitados. A falta de oxigenação do composto torna o ambiente propício para a ação de microorganismos decompositores anaeróbicos que são responsáveis pelo cheiro ruim.
No final o composto deve apresentar um aspecto o qual não é possível distinguir os tipos de material. O volume deve ter reduzido de 50% a 75%, sua coloração deve ser escura e ao pegá-lo com as mãos tem que estar um pouco escorregadio como se tivesse um pouco de sabão. Dica: se quiser use uma peneira para homogeneizar o composto, ficará com uma aparência muito boa.
O que pode e não pode ser colocado
Na composteira, podem ser colocados:
Frutas, legumes, verduras, grãos e sementes.
Saquinhos de chá, erva de chimarrão, borra de café e de cevada.
Sobras de alimentos cozidos ou estragados e cascas de ovos.
Folhas secas, serragem, gravetos, palitos de fósforo e de dente, podas de jardim.
Papel toalha, guardanapos de papel, papelão, embalagem de pizza e jornal.
Jamais coloque na composteira
Carne de qualquer espécie - Elas não são o alimento preferido das minhocas, têm decomposição lenta e podem atrair moscas.
Frutas cítricas em excesso - O sumo ácido atrapalha o processo de decomposição. Deixe secar cascas de limão, laranja e abacaxi antes de irem para o minhocario.
Papel higiênico usado - Apesar de também ser dejeto, não vale a pena misturar as coisas, certo?
Funcionamento
Uma vez por semana ponha a comida na caixa de cima, sobreposta por serragem ou folhas secas. A caixa deve ser enchida ao longo de um mês.
Quando a caixa de cima encher, troque-a de lugar com a do meio. Ela receberá os resíduos orgânicos pelo próximo mês, até que o adubo da caixa do meio esteja pronto.
Para fazer a coleta, a forma mais fácil é puxar o composto para um dos lados da caixa e colocar o lixo orgânico fresco na parte vazia. Após alguns dias, as minhocas vão para a comida, facilitando a coleta do húmus. Deixe cerca de 7 centímetros de terra para as minhocas na caixa.
Uma vez por semana, retire o acúmulo do chorume orgânico pela torneira da caixa.
Vantagens que fazem a diferença
Redução do volume de lixo destinado aos aterros, gerando grande economia ao município.
Reciclagem de matéria orgânica e nutrientes para o solo.
Adubo ecológico para produção de alimentos orgânicos (horta doméstica).
Diminui o mau cheiro dos lixos domésticos e traz benefícios para o meio ambiente.
O composto deve ser misturado com terra ou aplicado diretamente no solo. O adubo deve ser adicionado na época de plantio, pois além de prover nutrientes para as plantas, ele atua também na melhoria das condições químicas, físicas e biológicas do solo. Em locais sem vegetação, o composto ajuda a melhorar as condições do solo além de minimizar efeitos do sol e da chuva. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Composteira: vale ou não vale a pena fazer ou ter uma em sua casa


A maioria das pessoas não percebe ou desconhece os problemas reais associados ao despejo de resíduos orgânicos em aterros sanitários. Geralmente, considera-se que o despejo de resíduos orgânicos é biodegradável e que não causa prejuízos utilizar aterros sanitários. Se continuarmos pensando dessa forma, teremos que ter aterros cada vez maiores, que são altamente poluentes.
A composteira é uma boa opção para dar uma destinação mais adequada a boa parte do lixo orgânico produzido em casa. Assim, restos de comida, cascas de frutas e de legumes, folhas de plantas e até saquinhos de chá e papéis velhos (sem tinta) podem ser usados para alimentá-las. Basta apenas ter dedicação e observar alguns cuidados e ela certamente não vai provocar mau cheiro, nem a proliferação de insetos. Não é complicado ter e manter uma em sua casa.
Depois de algum tempo necessário para o processo de decomposição de todo esse material, você terá um ótimo adubo natural para dar mais vida e saúde às suas plantas.
O Instituto de Botânica da Universidade de São Paulo afirma que até metade do lixo orgânico doméstico pode ter esse destino mais nobre do que os aterros sanitários das cidades. Além de reduzir os riscos ambientais, isto gera também uma grande economia às prefeituras.
Há muitas boas receitas de como se fazer uma composteira doméstica na internet. Mas gostei de uma idealizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Para quem não sabe, a Embrapa é uma das instituições mais avançadas na área de desenvolvimento de novas tecnologias para a agricultura e a pecuária no Brasil.
A composteira da Embrapa é extremamente simples e barata que não ocupa espaço porque é verticalizada. Serão necessários apenas três baldes, uma torneira de plástico e um pequeno filtro feito de algodão e carvão em pó. E, convenhamos, se foi projetada pela Embrapa, com certeza funciona e bem.
O adubo totalmente ecológico que vai se formar tem tanta qualidade que você poderá até usá-lo para incrementar uma pequena horta. Até mesmo o chorume – o líquido produzido pela decomposição dos materiais orgânicos – pode ser aproveitado para regar as plantas. Segundo a Embrapa, ele é um ótimo fertilizante.
Resíduos orgânicos ocupam a maior parte do espaço em aterros
Despejar resíduos orgânicos em aterros tem alto impacto ambiental e econômico negativo, ao contrário de se utilizar uma composteira, quer ela seja de fabricação caseira ou uma mais sofisticada como uma elétrica por exemplo. Simplesmente separar os resíduos orgânicos de outros resíduos e despejar em aterros causa diversos problemas como liberação de metano, odor, doenças, contaminação do lençol freático, e não reduz a quantidade de espaço necessário. Essa decomposição demora muito tempo e é altamente nociva ao meio-ambiente.
Existem várias outras consequências econômicas positivas
Diminuir a quantidade de resíduos orgânicos reduz o custo de manutenção de um aterro. Assim, seu tamanho será menor, menos poluente e mais fácil de ser mantido. Os custos para transportar o lixo por caminhão também são reduzidos. Algumas empresas e hotéis têm sido capazes de salvar milhares de dólares por ano em custos operacionais, adotando técnicas locais de compostagem para resíduos orgânicos na própria fonte geradora.
Reduzir, compostar e reutilizar deveria ser o conceito principal das famílias hoje em dia. Deveríamos ter como base reduzir a quantidade de resíduos orgânicos gerados por compostagem, reduzindo significativamente os recursos gastos com gestão de resíduos. Ao reciclar os resíduos orgânicos através de compostagem local, nosso mundo se torna mais verde. Ao reutilizar o produto final como adubo ou condicionador de solo, completamos o ciclo e contribuímos  para um mundo melhor.
No final das contas, acho que vale muito a pena ter uma composteira em casa. 

Fonte: Afonso Capelas Jr e Luiz Henrique Lopes

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Consumo Sustentável


No início da revolução industrial, quando a população era cerca de um décimo do que é hoje, os recursos eram abundantes e pouco explorados. Com os crescentes hábitos de consumo das sociedades modernas, questões como a escassez de recursos naturais, a poluição dos solos, água e ar, aquecimento global e perda de biodiversidade tornaram-se temas preocupantes que exigem uma resolução urgente. Por outro lado, o número reduzido de locais adequados para a deposição dos resíduos obrigou a que fossem tomadas medidas para diminuir a quantidade de resíduos que têm como fim o aterro.
Ao longo das últimas décadas os ambientalistas têm alertado que as atividades econômicas têm excedido os limites do planeta. Muitos dos produtos que utilizamos diariamente apresentam um impacte significativo sobre o ambiente, desde os materiais e energia utilizados para os produzir, aos resíduos que criam durante a sua produção e quando se tornam obsoletos. As empresas têm esticado estes limites com novas tecnologias no entanto, continuamos a exercer uma pressão cada vez maior sobre o planeta.
Pegada Ecológica
A Pegada Ecológica traduz a quantidade de recursos gastos por uma pessoa ou população para manter o seu nível de vida e de consumo (de bens e serviços) e absorver os seus resíduos, expresso em terreno necessário. A Pegada Ecológica da Europa é uma das maiores do mundo. Os cidadãos europeus correspondem a menos de 10% da população mundial contudo consomem metade da produção mundial de carne, um quarto da produção mundial de papel e 15% da produção mundial de energia. Se o resto do mundo vivesse como nós seriam necessários mais de dois planetas Terra para nos sustentar. Mas só podemos contar com este.
Neste sentido deve ser uma prioridade tornar a produção de bens e serviços e o consumo sustentáveis para minimizar o desperdício e a quantidade de resíduos produzida.
Consumir e produzir de forma sustentável significa utilizar os recursos naturais e a energia com mais eficiência e reduzir os impactes negativos sobre o ambiente. Desta forma será possível satisfazer as nossas necessidades sem comprometer as gerações futuras.
Comportamentos a adotar para um consumo mais sustentável
O consumo sustentável está relacionado diretamente com o nosso estilo de vida, com o nosso comportamento enquanto compradores e utilizadores de produtos e com a forma como eliminamos os resíduos.
Os consumidores podem desempenhar um papel fundamental na proteção do ambiente, tornando se consumidores sustentáveis. Para isso basta ter atenção a pequenos gestos que podem fazer toda a diferença.
Pense antes de comprar - Compre apenas aquilo de que necessita e habitue-se a pensar no que irá acontecer ao que comprou quando já não lhe interessar. Adquira produtos ecológicos, use detergentes biodegradáveis e utilize-os nas doses recomendadas pelos fabricantes.
Sempre que possível evite comprar produtos em embalagens descartáveis. Escolha produtos com menos embalagens ou não embalados, recarregáveis, em embalagens reutilizáveis ou recicláveis. Leve os seus próprios sacos para transportar as compras. Um saco de plástico demora 1 segundo a produzir, usa-se cerca de 20 minutos mas demora 500 anos a decompor-se.
Não use utensílios descartável (mesmo em piqueniques e em festas). Se pretender utensílios inquebrável prefira a de plástico lavável e reutilizável.
Evite comprar mobiliário produzido com madeiras tropicais e produtos provenientes de espécies ameaçadas. Não compre lembranças feitas a partir de animais, pois está a incentivar o seu comércio.
Verifique os rótulos - Leia os rótulos com atenção e informe-se sobre o desempenho ambiental dos fabricantes.
Seja sazonal - Compre e consuma frutos e produtos hortícolas da época, produzidos localmente. Deste modo evita o consumo de energia e recursos necessários para os produzir de forma intensiva ou para os transportar por longas distâncias.
Tenha uma alimentação equilibrada - Coma menos carne porque a sua produção consome muito mais recursos e tem maior impacto ambiental do que a de outros produtos alimentares. Em substituição, consuma alimentos de níveis mais baixos da cadeia alimentar, como cereais e vegetais, o que contribui para a redução do uso de recursos naturais na produção alimentar.
Evite consumir refeições pré-cozidas e de “fast-food” que contêm frequentemente aditivos e outras substâncias prejudiciais à saúde.
Prefira a água aos refrigerantes e evite comprar água engarrafada. A nossa água canalizada é normalmente de boa qualidade. Assim, estamos a poupar ao ambiente a agressão do fabrico e do depósito de garrafas de plástico.
Quando possível cultive os alimentos de que precisa. Para além de poupar dinheiro contribui para a redução da energia usada na produção e transporte comercial dos produtos.
Poupe água - Não deixe a torneira aberta enquanto escova os dentes, tome ducha em vez de banho de imersão. Aproveite a água da chuva para regar ou lavar o carro. Não use a mangueira como vassoura para limpar terraços ou passeios.
Poupe energia - Apague as luzes e desligue os eletrodomésticos e carregadores quando não os está a utilizar. Não deixe a TV e outros equipamentos em stand-by porque continuam a consumir. Economize no aquecimento, através de um melhor isolamento da habitação e mantendo o aquecedor no mínimo. Prefira a iluminação natural e utilize lâmpadas econômicas.
Opte por fontes renováveis de energia. Pode gerar a sua própria eletricidade com uma turbina eólica, com painéis solares ou células fotovoltaicas.
Utilize alternativas ao automóvel - Contribua para a redução dos congestionamentos de tráfego e da poluição atmosférica provocada pelo transporte rodoviário, andando de transportes públicos, de bicicleta ou a pé. Quando utilizar o automóvel opte pela partilha de veículo e verifique regularmente a pressão dos pneus. Não compre um veículo maior do que as suas necessidades.
Faça férias ecológicas - Adote formas de recreio e turismo com menores impactos ambientais (ecoturismo). Passeie a pé ou de bicicleta em vez de usar veículos motorizados. Explore a natureza e dê passeios para observá-la. Estará a desenvolver o seu gosto e respeito pelo ambiente através de um contato direto e, por outro lado, contribui para o desenvolvimento de uma região baseada na proteção dos valores naturais.
Assegure-se de que deixa o local como o encontrou - Não colha flores, não destrua ninhos, não corte ramos nem deixe resíduos para trás. Uma simples garrafa de plástico leva 500 anos para degradar-se.
Elimine os seus resíduos de forma correta - Não jogue os resíduos no chão e não atire resíduos pela janela do carro. Separe e elimine os resíduos de forma correta. Organize um caixote do lixo com espaços divididos para receber as várias categorias de resíduos domésticos, com vista à reciclagem. Recicle os seus resíduos e doe as roupas, brinquedos, livros e outros bens que já não utiliza mas ainda estão em bom estado. Não elimine os óleos alimentares ou produtos químicos pelo ralo comum. Desta forma está a contribuir para o reaproveitamento de matérias-primas, reduzindo os impactos negativos sobre os recursos naturais e meio-ambiente. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Analfabetismo Ambiental


Afinal o que seria isso, uma desculpa para não mudar de atitude? Discute-se já há algum tempo a questão da sustentabilidade, ou seja, um desenvolvimento que sustente o meio ambiente ao invés de degradá-lo. E o maior obstáculo tem sido a falta do entendimento de que o que deve ser sustentável é a vida em sua totalidade, não o desenvolvimento em si, que deveria e deve estar alicerçado em melhorar a existência humana e não colocá-la em risco.
A falta de consciência ambiental não está apenas nas ações predatórias do bicho homem, mas, na sua grande ignorância em relação ao meio ambiente em que vive. É esse o fato gerador das enormes dificuldades para o entendimento mais profundo das questões ambientais ou ecológicas. E isso se deve, em parte, à visão reducionista que hoje prevalece quando tratamos do meio ambiente, uma visão limitadora que nos leva a pensar que ele é algo aquém ou além de nós.  Até mesmo aqueles de possuem boa vontade no trato dessa questão, equivocam-se quando tentam desenvolver, por exemplo, uma educação ambiental baseada numa visão puramente mecanicista, que coloca o homem em separado em relação ao meio ambiente, quando em  realidade  o homem é parte integrante do todo ambiental.
Mesmo com toda a ênfase da mídia ao falar sobre as questões ambientais, tem gente que pensa que isso só interessa a nós ambientalistas e profissionais da área. Confesso que isso me traz um certo desconforto e tristeza.
Esses dias mesmo, uma pessoa ao ver uma matéria sobre sustentabilidade, me deu o jornal falando que isso me interessava.  Poxa, o planeta Terra só pertence aos ambientalistas e afins, ou é um bem comum? O bom funcionamento da Terra, a harmonia entre o homem e a natureza não interessa a todos? Todos nós, terráqueos, temos dever de cuidar da nossa casa Terra, e não tem como cuidar dela se distanciando de informações necessárias para que isso aconteça. Isso é chamado de analfabetismo ambiental pelos estudiosos.
Muitas coisas tem acontecido e suas consequências já estão sendo sentidas; tudo isso é fruto de uma interferência humana desastrosa, irracional e sem limites, desde a Revolução industrial. Sei que o quadro é meio pessimista, mas não se pode perder a vontade de mudar em prol da sustentabilidade, isto é, garantir as gerações futuras a viverem em condições adequadas e de qualidade. Será que nossos filhos, netos, bisnetos não merecem receber um planeta mais harmônico?
Muitas pessoas se lembram do meio ambiente apenas quando entram em contato direto ou indiretamente com catástrofes: inundações, secas, terremotos, etc, e por falta de informação ou por mero descaso, jogam a culpa em outros países, em seus governos, em seus vizinhos, mas nunca em si mesmo. Será que é tão difícil perceber que todos nós temos uma parcela de culpa? E se cada um se voltasse para suas atitudes cotidianas: de gastos irracionais; de desperdícios de energia, de água; de falta de bom senso, seria muito mais fácil ocorrer à mudança? Sei que nosso cérebro se preocupa mais com assuntos imediatistas, como mostra o estudo de Elke Weber, mas temos que mudar nossas atitudes consumistas já, antes que seja tarde demais.
Ainda bem que tenho encontrado muitas pessoas que possuem o mesmo pensamento, não só ambientalistas, mas donas de casa, trabalhadores, crianças, etc. Sei que a semente está sendo plantada, mas depende da terra estar bem arada, nutrida, pois só assim nascerão bons frutos.
Te faço uma pergunta, como está seu pedaço de terra interior, para receber as sementes que inúmeras pessoas plantam? Como está sua cabeça e seu coração em busca de amar e respeitar nossa casa Terra e colocar os assuntos ambientais como importantes a todos?
PENSE NISSO!!!
Do nosso presente dependerá o futuro de todos os seres, inclusive nós, seres humanos. 

Fonte: Willes S. Geaquinto e Erica Sena

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Hábitos alimentares e Qualidade de Vida


Hábitos alimentares adequados proporcionam ao organismo humano condições para uma vida saudável, acrescentando anos com saúde e disposição para os indivíduos que se propõem a ter uma dieta equilibrada e pautada na moderação. Não existem alimentos proibidos (para a comunidade sadia) ou milagrosos. O segredo está no bom senso.
A alimentação é o combustível para nossa vida, uma vez que nos fornece subsídios para a realização de nossas tarefas diárias. Se não nos alimentamos não temos força ou disposição para a realização das atividades mais banais, além de comprometer seriamente o desempenho das funções vitais no nosso organismo.
Claro que a qualidade do alimento ingerido é fundamental. Não adianta simplesmente comer. É preciso alimentar-se corretamente, fornecendo ao organismo os nutrientes necessários para seu perfeito funcionamento, sem carências ou exageros.
Uma alimentação balanceada, contendo equilibradamente frutas, cereais (inclusive integrais), verduras, legumes, carnes e leite, pode contribuir positivamente para a manutenção da saúde do indivíduo.
Entretanto é sempre bom ressaltar que a diversidade dos alimentos é fundamental, pois não existem alimentos completos capazes de fornecer ao organismo toda a gama de nutrientes requeridos para sua manutenção, preservando-lhe a saúde. Então a premissa da boa alimentação está fundamentada, principalmente, na diversificação de alimentos ofertados em quantidades adequadas, o que não significa dizer exagero, pelo contrário, a moderação é imprescindível.
Convém lembrar que, o Brasil, como em outros países adeptos das “comidas rápidas” servidas em qualquer lanchonete, apresenta problemas sérios de saúde pública decorrentes da má alimentação. Isto porque o sabor dos alimentos foi colocado em primeiro plano, não que a alimentação não deva ser um prazer, ela pode e deve ser considerada desta forma, porém é necessário compreender que os alimentos precisam cumprir suas funções no organismo, não apenas saciar a fome ou estar a serviço da gula.
Estes lanches rápidos normalmente estão carregados de gorduras saturadas, comprometendo seriamente o equilíbrio alimentar do indivíduo e não podem, portanto, fazer parte da dieta alimentar do mesmo, sem causar-lhe dano, mesmo que seja em longo prazo.
Obviamente que uma vez ou outra é possível e agradável comer uma pizza ou qualquer outra refeição pelo simples prazer que proporciona, o que é desaconselhável é fazer disso uma constante, substituindo frequentemente uma alimentação saudável por um lanche com excesso de gordura e incapaz de proporcionar os nutrientes dos quais o organismo necessita.
Tornado-se hábito, pode levar a sérias complicações orgânicas, prejudicando a saúde do indivíduo em médio e longo prazo. Por isso é bom estar atento ao que estamos ingerindo, além de cuidar desde cedo da alimentação das crianças, insistindo com elas sobre a adoção de hábitos saudáveis que serão revertidos em qualidade de vida.
A alimentação realmente é um prazer que precisa ser saboreado e compartilhado com pessoas das quais gostamos, portanto é importante fazer das refeições um momento alegre para ser lembrado posteriormente, e não apenas o gesto mecânico de saciar a fome. Não é sensato comer rapidamente qualquer coisa, é preciso valorizar a vida, realmente alimentando-nos adequadamente, provendo nosso corpo e espírito de elementos dos quais necessitam.
Alimentação e Meio Ambiente
Pouca gente percebe, mas o cuidado do meio ambiente pode começar na nossa cozinha e no nosso relacionamento com o consumo de alimentos. As ações individuais podem, juntas, promover um grande impacto no meio ambiente, tanto para melhorar como para piorar. Observe alguns pontos importantes no que diz respeito ao consumo sustentável e manutenção de boa saúde nutricional:
1 - A água representa um “elo” muito importante nas questões ambientais. A agricultura é a maior usuária dela. Portanto, deve-se evitar ao máximo o desperdício de hortaliças e frutas, já que somente para produzi-las já se gastou muita água. Cozinhar grandes porções e manter congeladas, evita que se gaste água com panelas e diminui o sabão enviado ao sistema de esgoto. Higienizar as hortaliças e frutas assim que chegar em casa e armazenar em geladeira, aumenta a vida útil do produto.
2 - Consumir produtos de produção local, diminui o uso de combustíveis gastos para o transporte.
3 - Consumir produtos de origem orgânica diminui o uso e abuso de agrotóxicos cujo potencial poluidor vai desde o momento da utilização até o residual que pode ser ingerido junto com o produto em questão. O uso de agrotóxicos polui os lençóis de água subterrâneos, desequilibra a fauna e interfere diretamente na saúde humana.
4 - Consumir produtos de venda a granel diminui o uso de embalagens. Além de diminuir o lixo, evita-se o consumo dos produtos resultantes da interação alimento-plástico, que também são extremamente prejudiciais à saúde!
5 - Preferir carnes brancas. Para cada quilo de frango, são gastos 4,5 litros de água. Em contrapartida para produzir 1 kg de carne vermelha são gastos cerca de 65 litros de água! Impressionante, não?
6 - Por fim, reciclar todo o lixo possível.
Com pequenas mudanças no dia a dia podemos, juntos, ajudar a cuidar do planeta! 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Meio Ambiente e Saúde


Não é de hoje que as inter-relações entre população, recursos naturais e desenvolvimento têm sido objeto de preocupação social e de estudos científicos.
Desde há muito, as exigências cada vez mais complexas da sociedade moderna vêm acelerando o uso dos recursos naturais, resultando em danos ambientais que colocam em risco a sobrevivência da humanidade no planeta.
A história mostra que o homem sempre utilizou os recursos naturais para o desenvolvimento da tecnologia e da economia e, com isso, garantir uma vida com mais qualidade.
Entretanto, é fácil constatar que essa equação (exploração dos recursos naturais = desenvolvimento econômico e tecnológico = qualidade de vida) não vem se relevando verdadeira. Isso porque os recursos oriundos da natureza estão sendo aproveitados de forma predatória, causando graves danos ao meio ambiente e refletindo negativamente na própria condição de vida e de saúde do homem.
Nesse sentido, tudo se tornou válido em nome do progresso, do bem estar da sociedade e da vida mais confortável.
Mas, a busca do homem por uma vida melhor está lhe trazendo doenças, problemas sociais e comprometendo seu futuro na Terra, já que suas ações são altamente degradantes.
Diante desse quadro, fica claro que meio ambiente e saúde são temas completamente indissociáveis, sendo certo que o ordenamento jurídico nacional contempla tal relação.
Sem pretensão de exaurir o assunto, destacaremos e exemplificaremos a correlação entre meio ambiente e saúde, inclusive sob o aspecto legal, e mostrar a importância da aplicação dos princípios da prevenção e da precaução, basilares do Direito Ambiental Brasileiro.
Meio Ambiente
Entre os especialistas, verificamos a existência de diversas definições sobre "meio ambiente", algumas abrangendo apenas os componentes naturais e outras refletindo a concepção mais moderna, considerando-o como um sistema no qual interagem fatores de ordem física, biológica e sócio econômica.
Meio ambiente é a interação do conjunto de elementos naturais, artificiais e culturais que propiciam o desenvolvimento equilibrado da vida em todas suas formas. Uma outra maneira de interpretar o tema meio ambiente como "o conjunto de elementos físico-químicos, ecossistemas naturais e sociais em que se insere o Homem, individual e socialmente, num processo de interação que atenda ao desenvolvimento das atividades humanas, à preservação dos recursos naturais e das características essenciais do entorno, dentro de padrões de qualidade definidos".
Na legislação pátria, o inciso I, do artigo 3º, da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei Federal nº 6.938/81), define meio ambiente como "o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas".
Assim, entende-se que a expressão "meio ambiente" deve ser interpretada de uma forma ampla, não se referindo apenas à natureza propriamente dita, mas sim a uma realidade complexa, resultante do conjunto de elementos físicos, químicos, biológicos e sócio econômicos, bem como de suas inúmeras interações que ocorrem dentro de sistemas naturais, artificiais, sociais e culturais.
Saúde
A palavra saúde também deve ser compreendida de forma abrangente, não se referindo somente à ausência de doenças, mas sim ao completo bem-estar físico, mental e social de um indivíduo. Nesse sentido, é a orientação que se extrai da disposição contida no artigo 3º da Lei nº 8.080/90, onde se consigna que "a saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais".
Assim o termo "saúde" engloba uma série condições que devem estar apropriadas para o bem estar completo do ser humano, incluindo o meio ambiente equilibrado.
Meio Ambiente e Saúde - Temas indissociáveis
Muitas pessoas não percebem, mas o homem é parte integrante da natureza e, nesta condição, precisa do meio ambiente saudável para ter uma vida salubre.
É certo que qualquer dano causado ao meio ambiente provoca prejuízos à saúde pública e vice-versa. "A existência de um é a própria condição da existência do outro", razão pela qual o ser humano deve realizar suas atividades respeitando e protegendo a natureza.
Com um pouco de atenção, é fácil descobrir inúmeras situações que demonstram a relação entre o meio ambiente e a saúde, senão vejamos.
O vibrião da cólera, por exemplo, é transmitido pelo contato direto com a água ou pela ingestão de alimentos contaminados. A falta de saneamento básico, os maus hábitos de higiene e as condições precárias de vida de determinadas regiões do planeta são fatores que estão intimamente ligados com o meio ambiente e que contribuem para a transmissão da doença. "A água infectada, além de disseminar a doença ao ser ingerida, pode também contaminar peixes, mariscos, camarões etc..".
Foi noticiado em outubro de 2004, que as enormes quantidades de substâncias químicas encontradas no ar, na água, nos alimentos e nos produtos utilizados rotineiramente estão diretamente relacionadas com uma maior incidência de câncer, de distúrbios neurocomportamentais, de depressão e de perda de memória. Tal reportagem também divulgou dados do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, apontando que dois terços dos casos de câncer daquele país tem causas ambientais. Interessante que no Brasil em São Paulo, uma pesquisa feita com cinquenta controladores de trânsito da cidade (conhecidos como "marronzinhos"), não fumantes e sem doenças prévias. A conclusão foi que todos apresentavam elevação da pressão arterial e variação da frequência cardíaca nos dias de maior poluição atmosférica. Além disso, 33% deles possuíam condições típicas de fumantes, como redução da capacidade pulmonar e inflamação frequente dos brônquios.
Portanto, diariamente é possível presenciar várias situações que nos revelam como a degradação ambiental causa problemas na saúde e nas condições de vida do homem.
Por sua vez, o sistema jurídico brasileiro contempla a relação entre meio ambiente e saúde, conforme se exemplifica a seguir.
O artigo 225, da Constituição Federal do Brasil, estipula que: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações". Nota-se que o dispositivo em foco é categórico ao afirmar que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é essencial à sadia qualidade de vida, ou seja, à própria saúde.
O artigo 200 da Lei Maior fixa algumas atribuições do Sistema Único de Saúde (SUS), dentre os quais se menciona a fiscalização de alimentos, bebidas e água para o consumo humano (inciso VI) e a colaboração na proteção do meio ambiente (inciso VIII).
A Lei Federal nº 6.938/81, conhecida como Política Nacional do Meio Ambiente, tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental favorável à vida e, portanto, à saúde, visando assegurar condições ao desenvolvimento sócio econômico e à proteção da dignidade humana (artigo 2º).
Além disso, esta lei define poluição como a degradação da qualidade ambiental resultante das atividades que direta ou indiretamente prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população (artigo 3º, inciso III, alínea "a").
Por fim, cumpre mencionar a Lei nº 8.080/90, que regula em todo país as ações e serviços de saúde. Essa lei, além de consignar o meio ambiente como um dos vários fatores condicionantes para a saúde (artigo 3º), prevê uma série de ações integradas relacionadas à saúde, meio ambiente e saneamento básico.
Não se pretende cansar o leitor citando todas leis pertinentes ao tema ora estudado, bastando afirmar que são várias as normas legais que mostram a indissociabilidade das questões ambientais e de saúde humana.
A atuação dos Princípios da Prevenção e Precaução
Finalmente, cumpre examinar, também de forma não exaustiva, os princípios da prevenção e da precaução, basilares do Direito Ambiental.
"A palavra princípio, em sua raiz latina última, significa ‘aquilo que se toma primeiro’ (primum capere), designando o início, começo, ponto de partida. Princípios de uma ciência, são as proposições básicas, fundamentais, típicas, que condicionam todas as estruturas subsequentes. Os princípios fornecem a base para a criação de leis e são a essência das normas de direito.
O Direito Ambiental, que visa a manutenção de um perfeito equilíbrio nas relações do homem com o meio ambiente, possui alicerces próprios (princípios), que são decorrentes não apenas de um sistema normativo ambiental, mas também do sistema de direito positivo em vigor.
Dentre os diversos princípios do Direito Ambiental, cumpre destacar os princípios da prevenção e da precaução.
O princípio da prevenção se caracteriza pela "prioridade que deve ser dada às medidas que evitem o nascimento de atentados ao ambiente, de molde a reduzir ou eliminar as causas de ações suscetíveis de alterar sua qualidade".
Pelo princípio da prevenção, permite-se a instalação de uma determinada atividade ou empreendimento, impedindo, todavia, que ele cause danos futuros, por meio de medidas mitigadoras ou de caráter preventivo.
Existe um dever jurídico constitucional de levar em conta o meio ambiente quando se for implantar qualquer empreendimento econômico. Assim, segundo o referido doutrinador, a Carta Magna obriga todo empreendedor a proteger o meio ambiente ao exercer sua atividade econômica, razão pela qual se conclui que o princípio da prevenção impõe o equilíbrio entre o desenvolvimento sócio econômico e a preservação ambiental.
O principio da precaução, por outro lado, "é um estágio além da prevenção, à medida que o primeiro (precaução) tende à não realização do empreendimento, se houver risco de dano irreversível, e o segundo (prevenção) busca, ao menos em um primeiro momento, a compatibilização entre a atividade e a proteção ambiental".
Assim, pelo princípio da precaução, quando existe risco ou incerteza científica de dano ambiental, a atividade sequer poderá ser licenciada.
A implementação do princípio da precaução não tem por finalidade imobilizar as atividades humanas. Não se trata da precaução que tudo impede ou que em tudo vê catástrofes ou males. O princípio da precaução visa à durabilidade da sadia qualidade de vida das gerações humanas e à continuidade da natureza existente no planeta.
A precaução caracteriza-se pela ação antecipada diante do risco ou do perigo. No mundo da precaução há uma dupla fonte de incerteza: o perigo ele mesmo considerado e a ausência de conhecimentos científicos sobre o perigo. A precaução visa a gerir a espera da informação. Ela nasce da diferença temporal entre a necessidade imediata de ação e o momento onde nossos conhecimentos científicos vão modificar-se.
Como exemplo, vale mencionar que, em junho de 1999, o Juiz de Direito da 6ª Vara da Secção Judiciária do Distrito Federal acolheu expressamente o princípio da precaução na ação judicial proposta pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor contra a União Federal e a Monsanto do Brasil Ltda., ao proibir o plantio e comercialização de sementes da soja transgênica enquanto não fosse apresentado o Estudo Prévio de Impacto Ambiental e enquanto não fosse regulamentado, pelo Poder Público, as normas de biossegurança e de rotulagem de Organismos Geneticamente Modificados.
Diante do exposto, percebe-se que tais princípios visam restringir e até mesmo proibir a implantação de novos empreendimentos, na hipótese dos mesmos oferecerem risco ao ambiente e a saúde das pessoas.
Afinal, o Direito Ambiental possui caráter preventivo, pois é praticamente impossível a reparação integral nos casos de degradação ambiental, já que na maioria das vezes a região afetada jamais voltará ao estado em que se encontrava antes do evento danoso. "Muitos danos ambientais são compensáveis, mas, sob a ótica da ciência e da técnica, irreparáveis".
E, da mesma forma, são várias as doenças causadas por danos ambientais cujas sequelas se tornam irreversíveis para o homem.
Uma citação diz: não podem a humanidade e o próprio Direito contentar-se em reparar e reprimir o dano ambiental. Como reparar o desaparecimento de uma espécie ? Como trazer de volta uma floresta de séculos que sucumbiu sob a violência do corte raso ? Como purificar um lençol freático contaminado por agrotóxicos?
Por isso, o legislador constituinte atribuiu ao Poder Público o dever de aplicar os princípios da prevenção e precaução, por meio do controle da produção, comercialização e do emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a qualidade de vida e para o meio ambiente (artigo 225, parágrafo primeiro, inciso V, da Constituição Federal).
O poder de polícia, o zoneamento ambiental, as normas legais, os padrões ambientais, a aplicação de penalidades, o licenciamento ambiental, o estudo prévio de impacto ambiental, as regras de construção, o controle da poluição, o saneamento básico, o controle do uso do solo nos meios urbanos e rurais, o planejamento do crescimento da cidade e outros, são exemplos de instrumentos de controle ambiental onde se costuma aplicar os princípios da prevenção e da precaução.
Lamentavelmente, os princípios em estudo não estão sendo empregados na forma preconizada pelo legislador constitucional, o que vem colaborando com o aumento dos problemas ambientais e com o agravamento das condições de vida e de saúde o homem.
Conclusão
O ordenamento jurídico brasileiro é bastante claro, em suas várias normas, sobre a indissociabilidade dos temas concernentes à saúde e ao meio ambiente. A atuação dos princípios da prevenção e da precaução é de suma importância, pois eles restringem e até mesmo proíbem o estabelecimento de um empreendimento que potencialmente ofereça riscos à natureza e à saúde da população.
Sob um aspecto geral, considera-se que o direito brasileiro fornece as ferramentas necessárias para que o Poder Público possa aplicar os princípios da prevenção e precaução na preservação dos recursos naturais.
Entretanto, observa-se que alguns mecanismos legais destinados à proteção do meio ambiente e, consequentemente, da saúde humana, esvaem-se no ar, atingidos por males maiores, capitaneados pela corrupção, que, por sua vez, é alimentada pela ambição e pela ignorância dos habitantes deste planeta.
Ademais, não basta a existência material da lei. Isso é apenas marco zero de um longo processo de implementação dessa norma. Embora as leis ambientais em nosso país sejam avançadas, nota-se ainda uma lacuna, consistente na articulação institucional.
São vários os motivos pelos quais, hodiernamente, a legislação e os princípios ambientais têm aplicabilidade limitada, valendo destacar: (i) dissociação entre os objetivos das políticas ambientais e as estratégias de desenvolvimento econômico adotadas pelo próprio Poder Público; (ii) presença de interesses sociais contraditórios segundo cada instância de governo; (iii) falta de recursos financeiros para a área ambiental; (iv) falta de capacitação técnica dos órgãos ambientais, entre outros.
Urge superar as barreiras que obstam os processos de implementação das normas legais de cunho ambiental, sob pena da ineficiência dos princípios constitucionais estabelecidos na Carta de 1988, dentre eles os princípios da prevenção e da precaução, o que descaracterizaria por completo o Direito Ambiental Brasileiro.
E, sem dúvida nenhuma, uma dessas barreiras é a moderna e insustentável sociedade de consumo que transformou a natureza em três etapas: "a primeira, efetivou-a como ambiente, cenário em que o homem se proclama ‘dono e senhor’; em etapa posterior, esta natureza perde sua ‘consistência ontológica’, passando a ser um reservatório de recursos; por fim, uma terceira etapa, ‘em depósito de resíduos’".
Para a efetiva aplicação da legislação e dos princípios ambientais é preciso também que as políticas relacionadas à saúde pública e ao meio ambiente caminhem em conjunto e que os órgãos dos três níveis de governo ligados a essas áreas, bem como aos setores de agricultura e trabalho, não atuem isoladamente. Afinal, as consequências dos problemas ambientais que afetam a saúde da população não respeitam fronteiras geográficas ou níveis de competência.
Quando se fala em questões ambientais e de saúde humana, não basta indenizar o vexame, a dor e as irreparáveis sequelas causadas pelas doenças surgidas por conta da degradação da natureza. É preciso agir antes, empregando de forma efetiva o princípio da prevenção e, ser for preciso, o da precaução.
Afinal preservar e conservar o meio ambiente se traduz na garantia de sobrevivência da própria espécie humana e, nesse sentido, "a natureza não pode se adequar às leis criadas pelo homem, muito pelo contrário, o direito deve ser formulado em respeito às limitações naturais, submetendo às atividades econômicas às exigências naturais". 

Fonte: Paulo Roberto Cunha

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Beber a água certa


PH da água o que é isso
PH significa potencial hidrogeniônico (quantidade de prótons H+), que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução aquosa.
O pH de 7 significa neutralidade.
pH < 7 significa acidez e quanto menor o número do pH, mais ácida é a solução aquosa. O pH é medido em escala logarítmica, o que significa que com a diminuição de 1 ponto no pH torna a solução 10 vezes mais ácida. Ou seja uma solução com pH 3 é 10 vezes mais ácida que uma solução de pH 4 e 100x mais ácida que uma solução de pH 5, 1000 x mais ácida que uma solução de pH 6 e 10.000 x mais ácida que uma solução com pH 7.
Quando o pH é maior que 7 a solução é chamada de alcalina. Uma solução com pH 10 é 10x mais alcalina que uma solução com pH 9, 100x mais alcalina que uma solução com pH 8 e 1000x mais alcalina que a solução neutra com pH 7.ph-água
Para o nosso corpo é muito importante que os líquidos que ingerimos sejam alcalinos e ricos em minerais. O nosso corpo, quando gera energia, consome elétrons, gerando um resíduo ácido (excesso de prótons H+). O nosso corpo precisa eliminar este excesso de ácido.
Entendendo o assunto
A proporção é quase a mesma. O planeta Terra é na verdade o planeta água. A Terra em que vivemos é mais de dois terços líquida. E com nosso corpo é igual. Somos 70%  água, embora à medida que o tempo passe essa taxa se reduza. É por causa disso que nos tornamos velhos. Um recém-nascido tem 75% do corpo composto de água. Em um idoso, essa taxa despenca para 60%. É essa queda que determina os sinais de envelhecimento, marcas da passagem do tempo quando nos tornamos flácidos e nossa pele perde a elasticidade.
Presidente da SBMEE (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte), o médico Dr. Jomar Souza avisa que esse processo é irreversível. Não adianta tomar mais água que o normal achando que podemos retardar o envelhecimento.
Todo excedente de água que a pessoa tomar será eliminado pelos rins, através da urina. O organismo reterá somente o que precisar. Assim, se uma pessoa tomar 10 litros de água por dia, aproveitará em média dois e eliminará oito.
Responsável pela composição das células no organismo, a água é o principal elemento do sangue e também funciona como transporte de nutrientes e estruturas de defesa. Uma pessoa desidratada ou que não ingere água o suficiente pode ter uma série de doenças, como cálculo renal, ressecamento da pele e até mesmo dificuldade nas funções intestinais. De acordo com o especialista, um copo de água pela manhã melhora o trânsito do intestino e passamos a reter menos substâncias tóxicas.
Ainda segundo Jomar, é importante não esperar sentir sede para beber água.
Quando sentimos sede, sinal de que um processo de desidratação já teve início. Por isso, devemos ter o hábito de beber água sempre que possível.
E qual a melhor água para ingerirmos? Segundo ele, é a de torneira, depois de fervida e resfriada.
A água potável que chega à nossa casa é a melhor que podemos consumir, desde que seja fervida e depois armazenada. É fundamental, no entanto, que o tanque ou caixa em que ela fica guardada antes de chegar à torneira de nossa casa seja limpo a cada seis meses ou um ano.
Não importa o tipo de filtro que se tem em casa. Nenhum processo de filtragem, explica o médico, consegue anular a principal propriedade da água: a hidratação. 
A principal questão, no entanto, não é em relação à água que se toma, mas sim com qual velocidade ela precisa ser absorvida. Enquanto a água pura, a uma temperatura de 5 a 10 graus, é absorvida pelo corpo de maneira mais rápida, com a mineral esse processo é mais lento, devido aos elementos contidos nela, como sódio, magnésio, potássio.
Até uma hora de exercício físico, o ideal é tomar água pura. Depois de uma hora suando, é melhor dar preferência a bebidas isotônicas que, apesar de terem a absorção mais lenta, trazem elementos que perdemos em grande quantidade, como açúcares. Já a água com gás pode causar desconforto gastrointestinal e dificultar a absorção da água, não sendo a melhor opção para hidratar.
Como os bons azeites, a água também possui uma gradação que mede sua acidez. No caso, é seu pH que pode ser importante para avaliar as condições de consumo e pode ser medido em aparelhos domésticos vendidos em lojas de equipamentos para piscinas.  De acordo com Vinícius Gomes,  doutor em Química e professor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), com passagem pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), a água tratada e oferecida para a população tem pH de 7,2 e 7,4, segundo ele, ligeiramente alcalina. E a  água mais alcalina é melhor. 
É melhor em  razão da condutividade elétrica. Esses sais estão em íons no organismo, eles serão transportados de acordo com uma faixa de pH. A faixa ideal para transportar algumas substâncias é entre 7 e 7,5 . Com uma água mais alcalina, os nutrientes seriam melhores transportados.
Vinícius lembra que há vários elementos presentes na água. Há  o flúor, que é usado no tratamento, há a quantidade de sódio.
Com toda certeza a qualidade da água é importante para a qualidade de vida. Em outro caso, a água possui alguns metais essenciais, que a gente precisa. Mas, em alta quantidade os mesmos metais fazem mal à saúde.
Para o doutor e professor de Química da Unesp, Homero Marques não existe uma receita fechada.
A água alcalina, por exemplo, é um veneno  para uma pessoa que tenha propensão a formar cálculo renal.
Mas segundo ele, de modo geral pode-se tranquilamente tomar água tomar água com pH entre 6 e 8.
Normalmente trabalhamos na faixa de pH neutro por facilidade. Mas não tem qualquer problema com isso.
Não existe uma água milagrosa que vai fazer você ficar saudável. Ela tem que ter qualidade, deve haver um tratamento desde bacteriologia, estar livre de microorganismos  e passar por um controle do teor de substâncias presentes na água.
Enganação
O professor adverte a que a venda de filtros que afirmam ter poder de  “magnetizar a água” é uma enganação:
Magnetizador de água? A polícia tem que ir em cima do cara (que vende este tipo de filtro). Isso é impossível. Se alguém no mundo conseguir magnetizar a água, ganha um Nobel.
Para Homero, o ideal é  consumir no mínimo três litros de água por dia.
Isso depende do ambiente em que a pessoa trabalha. Para quem trabalha sentado, fechado num ambiente com ar condicionado, tomar dois litros de água é quase impossível. Já um pedreiro, que trabalha o dia inteiro se movimentando, toma cinco litros tranquilamente. O organismo de cada pessoa é que determina.
Carlos Alberto Werutsky, médico nutrólogo da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) atesta que não existe uma água melhor que a outra.
O enriquecimento dessa água pura é que pode diferenciar um produto de outro.
E, segundo ele,  refrigerantes, sucos, isotônicos e bebidas chamadas de esportivas não são os substitutos ideais da água.
Não se pode indicar ou recomendar para a população que toma suco de fruta, que tome bebidas esportivas no lugar da água. Embora esse enriquecimento traga benefícios, o consumo não pode ser exclusivo. Por exemplo, se um maratonista que passar uma prova inteira tomando uma bebida esportiva ele vai ter riscos de perder em performance. Ele deve tomar 80% água e 20% de uma bebida esportiva durante o percurso. 

Fonte: www.noticiasr7.com

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Mar Potável


Na confluência dos rios Amazonas e Tapajós, o município de Alter do Chão, a 35 quilômetros de Santarém, no Pará, guarda a praia de água doce mais bonita do Brasil e o maior aquífero de água potável do mundo. Descoberto em 1958 e mensurado em 2010, só agora os geólogos começam a mapear a riqueza do subsolo amazônico.
Na cidade apelidada de “Caribe Amazônico”, turistas colocam os pés para o alto nas mesas espalhadas pelas areias brancas da Ilha do Amor, que surge na vazante, quando o volume de água do rio diminui, entre janeiro e agosto. Barracas cobertas de sapê oferecem delícias da culinária amazônica, como o tucunaré na manteiga e o suco de açaí. Barquinhos de madeira passeiam pelo único afluente do Amazonas com águas esverdeadas e cristalinas. As praias do Tapajós maravilham os olhos. Quem vê a paisagem nem imagina que sob os pés corra o maior manancial de águas subterrâneas do mundo, o Aquífero Alter do Chão.
Aquíferos são formações geológicas que armazenam ou liberam água subterrânea, como uma esponja cheia que, ao ser movimentada ou pressionada, solta o elemento. Com toda a chuva que cai na Amazônia, era previsível que o subsolo guardasse mais água. Até 2010, considerava-se o maior aquífero do mundo o Guarani, que se estende por baixo de 1,2 milhão de quilômetros quadrados do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, com 45 mil quilômetros cúbicos de água. Cerca de 70% das águas estão no Brasil e se espalham pelo subsolo de oito Estados. Já o Alter do Chão ocupa três Estados – Amazonas, Pará e Amapá –, é menor em extensão, mas possui uma reserva de água potável de 86 mil quilômetros cúbicos, o suficiente para abastecer a população mundial por pelo menos 400 anos.
O tamanho do Alter do Chão era subestimado até pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) anunciarem, em 2010, que ele continha o maior volume de água potável do mundo. Os geólogos Milton Matta e Francisco de Abreu, o engenheiro André Montenegro Duarte, o economista Mário Ramos Ribeiro e o geólogo Itabaraci Cavalcante, esse da Universidade Federal do Ceará (UFC), foram os responsáveis pela análise preliminar do sistema. “Desde a década de 1960, as pessoas estudam o aquífero, mas, quando começamos a pesquisar a fundo, em 2007, descobrimos uma reserva incrivelmente grande”, diz Milton Matta.
Em 2011, a Agência Nacional de Águas (Ana) iniciou estudos nas bacias sedimentares da Província Hidrogeológica do Amazonas. Ao custo de R$ 4,4 milhões, a pesquisa será finalizada em 2014. Dados recentes apontam que o Aquífero Alter do Chão pode fazer parte de um sistema ainda maior. “A pesquisa feita pela UFPA não é equivocada, mas estamos descobrindo que o Aquífero Alter do Chão pode integrar o que chamamos de Sistema Aquífero Amazonas, que engloba também os aquíferos Içá e Solimões”, afirma Fabrício Cardoso, hidrólogo da gerência de águas subterrâneas da Ana. “Embora as informações ainda sejam insuficientes, tudo indica que o Aquífero Amazonas é muito maior do que o Alter do Chão em termos de volume de água e extensão territorial.”
A descoberta da UFPA foi divulgada para informar a sociedade e levantar financiamento para os estudos, mas até agora a verba não veio. Enquanto o Aquífero Guarani, descoberto na década de 1950, já recebeu financiamento de US$ 26,7 milhões do Fundo para o Meio Ambiente Mundial e de outras entidades, nos últimos cinco anos o Aquífero Alter do Chão ficou relegado ao esforço dos pesquisadores. “Parte dos estudos foi subsidiada com recursos de outros projetos que desenvolvemos sem ajuda financeira de patrocinadores. Já o conhecimento prévio que aproveitamos provém dos poços de perfuração para óleo e gás feitos pela Petrobras”, explica Matta.
Abundância excessiva
Apesar de 70% da Terra ser coberta de água, apenas 2,5% constituem-se de água doce, dos quais 99% correspondem a águas subterrâneas e só 1%, ao volume de água doce de rios e lagos. O Brasil tem 18% da água doce do planeta. Para Matta, paradoxalmente a Amazônia “acaba pagando um preço alto por ter muita água”. Com 7% da população, a região detém 70% do recurso. Já no Sudeste, 42% da população dispõe de apenas 6% da água. “Os financiamentos vão para as áreas com menos água. Por termos abundância de recursos hídricos, não somos prioridade de investimento em estudos. Contudo, cuidar das águas da Amazônia é estratégico para a população mundial e principalmente para o Brasil. Enquanto no Nordeste estão sofrendo por falta d’água, estamos sentados no maior manancial do planeta”, diz Matta.
Para Marco Antônio Oliveira, superintendente do Serviço Geológico do Brasil, do Ministério de Minas e Energia, a questão é cultural. “A Lei Nacional de Recursos Hídricos é voltada para o gerenciamento da escassez, o que atrapalha a gestão da água na Amazônia. Ainda não conseguimos avaliar o valor estratégico dessa água toda para o Brasil e o planeta”, diz.
Uma primeira diferença é que, enquanto o Aquífero Guarani está sob a rocha, o de Alter tem terreno arenoso, que funciona como um filtro e garante a potabilidade da água, além de facilitar a penetração da chuva e a perfuração de poços. Se há mais extração do que a capacidade do sistema de repor água, a reserva diminui e torna-se necessário buscar o recurso cada vez mais fundo. A espessura média do Aquífero Alter do Chão é de 575 metros.
Amazonas e Pará
Sob Manaus, o aquífero responde pelo abastecimento de 30% da água da cidade, enquanto 70% vêm do Rio Negro. A concessionária que capta água do rio para abastecer a população não chega à periferia da cidade. Sem opção, os moradores furam artesanalmente poços particulares e rasos, de 40 a 60 metros de profundidade. Outros, mais profundos, são feitos pela própria concessionária. “Esses poços representam risco, pois bombeiam 24 horas por dia, não dando tempo de recuperação de água subterrânea”, ressalta Oliveira.
A captação de água vem causando rebaixamento do nível do aquífero. “Um poço que precisava de 100 metros para captar uma determinada vazão precisa hoje alcançar 140 metros de profundidade para conseguir essa mesma quantidade de água”, diz Daniel Nava, secretário de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos do Estado do Amazonas.
No entorno de Manaus, a proliferação de poços está comprometendo a qualidade da água, pois o volume de esgoto in natura nos igarapés da região ainda é alto, o que acaba contaminando a água do aquífero. Segundo Oliveira, nos poços mais rasos nos arredores de Manaus, a poluição já é nítida. Apesar de estar no subsolo, a água dos aquíferos pode ser contaminada caso em suas proximidades sejam construídos lixões, fossas, cemitérios ou grandes lavouras.
No Pará, Alter do Chão, com apenas dois mil habitantes, vê a paisagem mudar com a chegada da estação chuvosa. As faixas de areia diminuem e a água escurece, até que, em maio, no auge da estação chuvosa, só se vê o teto de sapê das barracas. É a hora de se desvendar outra Alter do Chão, com cenários oníricos como a Floresta Encantada, uma mata de igapó pela qual ziguezagueiase de canoa por entre as copas das árvores duplicadas pelo espelho d’água. Ao entardecer, a dica é atravessar o Tapajós em busca do melhor ângulo para apreciar o famoso pôr do sol local. Com sorte, a experiência pode ser coroada pela visão dos botos nadando sincronizadamente.
Em setembro, a noite segue no ritmo da Festa do Sairé, que mistura elementos religiosos e profanos e lota as pousadas da vila. A festa, realizada desde o século 18, é marcada por procissões e manifestações folclóricas ritmadas pelo carimbó. Durante os desfiles dos blocos, as duas agremiações culturais, Boto Tucuxi e Boto Cor de Rosa, apresentam um espetáculo de cores, ritmos e beleza ao público. Considerada pelo jornal inglês The Guardian como a melhor praia do Brasil, Alter do Chão possui uma infraestrutura turística que melhorou recentemente, e hoje a vila conta com boas pousadas e hotéis, postos de saúde, restaurantes, agências de turismo, poucas lojas e muitas barracas com artesanato.
Como proteger
Milton Matta é um advogado da valoração econômica da água. “Ela é o bem natural e mineral mais precioso para a sobrevivência da humanidade”, diz. Os recursos hídricos são cruciais para manter o equilíbrio da floresta e o clima do mundo, para abastecer a agricultura (que responde por 70% do consumo de toda a água mundial) e a indústria (20%).
Até agora, não existe um modelo de uso para proteger o Aquífero Alter do Chão. Para tanto, é preciso aprofundar os estudos e produzir informações destinadas a alimentar o Método de Valoração Contingente, aplicado nos Estados Unidos e na União Europeia. Recomendado pela comunidade científica para precificar o valor de recursos naturais, tais como aquíferos, o conceito consta da Declaração do Milênio, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2000.
Para implementar uma política para as águas da Amazônia, a valoração é imprescindível. O engenheiro André Montenegro, da UFPA, ressalta que “o que se paga pela água hoje é basicamente o custo de captação, tratamento e distribuição, um valor ridículo e tecnicamente errado”. O certo, segundo o economista Mário Ramos Ribeiro, seria “valorar o uso direto, o uso indireto e o ‘valor de existência’, e somá-los. Este último, o valor de existência, exige uma metodologia mais complexa, pois as águas são bens públicos para os quais não há mercados e, consequentemente, não há preços monetários”.
Os pesquisadores paraenses propõem a adoção de um valor de “não uso”. Assim, o recurso ganhar valor e importância pelo fato de ser mantido na natureza.
As águas da Amazônia mantêm o equilíbrio ecossistêmico da floresta tropical úmida e controlam a geração de chuvas para toda a agricultura do país, regulando o equilíbrio climático. “Dessa forma, é preciso entender que águas circulando e a floresta em pé têm uma importância significativa para a economia do país. Não é descabida a ideia de se estabelecerem mecanismos de compensação financeira que, como as águas, funcionem como meios de transferência também de renda entre as regiões brasileiras”, defende Matta.
Em 1995, o então vice-presidente do Banco Mundial, Ismail Serageldin, afirmou que “as guerras no próximo século acontecerão por causa da água”. O próximo século já chegou e, segundo a ONU, 1,6 bilhão de pessoas vivem em regiões com escassez de água. Até 2025, dois terços da população mundial podem ser afetados pelas condições do recurso. Em 2012, 80% das doenças em países em desenvolvimento foram causadas por água não potável e saneamento precário, incluindo instalações de saneamento inadequadas.
Diante da privilegiada situação do Brasil e do rarefeito panorama mundial da água, é urgente desenvolver mais pesquisas sobre o maior manancial de água potável do mundo. Para isso, é necessário investir no mapeamento dos aquíferos, fazer o levantamento dos recursos hídricos e estabelecer uma política de utilização e exploração sustentável. 

Fonte: Carolina Bergier