quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Qual o preço justo para realizar o Cadastro Ambiental Rural


Para responder essa pergunta, vamos fazer algumas considerações iniciais, posteriormente faremos algumas contas e, para finalizar, vamos mostrar o que quem realiza o CAR (Cadastro Ambiental Rural) deve entender para ser profissional e evitar o pior para seu futuro.
Trágico, não? - Mas é exatamente isso, precisamos entender quanto custa para fazer o CAR de maneira profissional.
A princípio falaremos sobre o erro que vem sendo cometido quando se divulga que o CAR é gratuito e que qualquer produtor rural pode fazer, sem a contratação de profissionais específicos.
 Essa informação poderia ser verdadeira se considerarmos que o CAR é só o cadastramento propriamente dito, mas isso não é verdade. O CAR não é só isso. Ele envolve várias etapas que ocorrem antes, durante e depois da inserção das informações no sistema de cadastro.
Tudo começa com as informações que o profissional contratado recebe do proprietário. Tendo ao menos o perímetro da propriedade, é possível iniciar um processo de diagnóstico, onde através de imagens de satélite atuais mapeia-se a vegetação nativa e as áreas abertas existentes na propriedade.
Para dividir a vegetação nativa mapeada em APP e RL, devem-se mapear os rios e nascentes da propriedade e é neste momento que planejaremos a ida ao campo. Para fazer este mapeamento em campo, pode-se fazer uso do geoprocessamento, que estima a localização das nascentes e rios, de acordo com a declividade da propriedade, tudo de forma remota. Esse tipo de preparação facilita (e muito!) o trabalho de campo, pois será necessária apenas a conferência do que já foi mapeado no escritório, chegando rapidamente ao destino desejado com a utilização de GPS.
Há casos, em que o trabalho de campo se faz desnecessário, como por exemplo, em propriedades que não possuem nascente ou rios em seus limites e que proprietário já possua o perímetro do imóvel.
Trabalho de campo feito, hora de voltar para o escritório e descarregar as informações coletadas. Uma pergunta: com as informações de campo já conseguimos dividir a vegetação nativa em APP e Reserva Legal?
A resposta é não! Ainda falta mapear a área consolidada e é nesta hora que muitos profissionais têm dificuldade. A única forma de garantir veracidade das áreas consolidadas é através de imagens de satélite de duas datas: 2008 (mais precisamente 22 de julho de 2008) e a mais atual (de preferência, de 2014).
A primeira data separa os que têm anistia ou não pelos desmatamentos ocorridos dentro da sua propriedade e isso é extremamente importante,pois as regras para delimitar as APP se modificaram com o Novo Código Florestal para áreas consolidadas.
Áreas consolidadas mapeadas é hora de dividir a vegetação nativa em RL e APP, contabilizar o passivo e também os excedentes de vegetação existentes que poderão ser comercializadas na forma de CRA – Cotas de Reserva Ambiental. Aqui vale uma dica: muitas vezes há passivo em áreas de APP e excesso de vegetação na RL, o que faz com que essas áreas possam ser comercializadas.
APP e RL mapeadas e contabilizadas, já podemos fazer o cadastramento no SiCAR? Ainda não, mas já passamos a etapa mais difícil. Agora é hora de saber se existem informações georreferenciadas que ainda precisam ser cadastradas como Cobertura do Solo, Servidão Administrativa e área de uso restrito.
E agora, vamos para o cadastro das informações? - Ainda não.
Mas falta bem pouco! Basta só levantar os documentos pessoais dos proprietários. Feito isso,agora sim vamos para o cadastramento propriamente dito.
Antes, deixamos uma reflexão: ainda não começamos fazer cadastro nenhum no SICAR e perceba quantas atividades já ocorreram. Quanto vale o serviço feito antes do cadastro no sistema? Quanto tempo (em horas) uma empresa ou um profissional gasta para realizar a preparação dos arquivos e informações detalhada neste post?
Pois bem. O trabalho de escritório pode ser mais fácil de estimar, mas e o campo? É muito difícil estimar o tempo gasto em campo sem antes realizar o diagnóstico no escritório. Fato é que fazer o serviço de uma propriedade com 4 nascentes preservadas e com vegetação nativa remanescente é muito mais trabalhoso para mapear do que uma sem nascente. Mapear rios em campo, quando não conseguimos mapear através de imagens de satélite, também é trabalhoso.
Pronto, com todas as informações em mãos, é hora de inscrever e cadastrar diretamente no SICAR, de seu estado ou no Federal, já que em alguns estados o sistema ainda não foi integrado ou liberado para o cadastro.
E de novo podemos fazer a mesma pergunta, quanto tempo demora-se para realizar o cadastro do SiCAR? Devemos considerar a quantidade de erros ocorridos durante o processo ou mesmo o sistema ficar fora do ar em alguns lugares.
Feitas as considerações, vamos às contas…
Primeiramente, algumas premissas: Ao fazer as contas consideramos um custo por hora trabalhada do profissional em R$50,00, o que representaria um salário liquido de R$ 3.000,00 por mês. Consideramos também que um profissional consegue realizar o trabalho de escritório, de campo e no cadastramento no SICAR em 1,5 dias (gastando 4 horas cada uma das etapas). Muitas vezes pode-se demorar mais do que apenas 4 horas para realizar cada etapa e isso faz com que os custos aumentem. Calculem bem realmente quanto tempo demora cada etapa.
Colocadas as premissas, para as etapas de escritório, campo e cadastro um custo de R$ 600,00 já foi gerado, R$ 200 em cada etapa. Mas não podemos considerar apenas o custo do trabalho realizado. Deslocamento, hospedagem e alimentação são custos que devem ser computados para o trabalho em campo. Agora adicione parte dos custos fixos como aluguel, luz, telefone e outras despesas que o profissional tenha e não se esqueça dos impostos caso o profissional trabalhe com nota fiscal ou RPA (Recibo Profissional Autônomo) o que teoricamente é obrigatório. Adicione ainda o custo da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e contabilize. Nenhum profissional deveria estar cobrando menos que R$ 1.000,00 para realizar o CAR de qualquer propriedade.
Se você é um profissional que vende os serviços do CAR por R$ 500,00, cuidado, você está trabalhando de graça ou mesmo pagando para trabalhar. Pense nisso. Mas não para por aí. Ainda há um custo extremamente importante que deve ser levado em consideração, chamado co-responsabilidade…
O profissional que fizer o CAR para o proprietário é co-responsável pelas informações inseridas no SICAR. Caso haja erros ou informações omissas, o profissional também poderá ser processado e neste momento outros custos virão e se isso ocorrer, o profissional deve guardar uma reserva de cada cliente para poder se defender caso seja movida uma ação contra o mesmo. Um exemplo: o CAR da propriedade feita por um profissional foi considerado ativo, de acordo com as informações inseridas no CAR. Tempo depois, o banco que costuma financiar a safra do produtor recusa liberar o crédito, pois se verificou um erro no CAR, o que gerou uma pendência. O proprietário ficará feliz? Quem ele vai processar para reparar seu prejuízo? Esse foi só um exemplo, mas existem outros tantos que poderá chegar até o profissional que fez o CAR. Guarde pelo menos 30% dos valores cobrado de cada cliente para um fundo de reserva caso o profissional seja acusado de co-responsabilidade de uma pendência ocorrida no CAR.
Um bom exemplo foi a notificação recebida pelo BNDES em Março de 2010, por co-responsabilidade pelos impactos causados pela construção da Usina de Belo Monte apenas por financiar a obra (para quem não soube, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social financia 80% da obra).
A co-responsabilidade não é brincadeira e deve entrar no computo do preço cobrado do cliente. Tínhamos chegado em R$ 1000,00? Agora adicione os 30% e chegamos num valor mínimo de R$ 1.300,00. Profissional de verdade não pode cobrar menos de 1.300,00 para realizar o CAR de qualquer propriedade a não ser que o profissional demore menos de 1,5 dias para fazer todas as etapas (escritório, campo e cadastro no SiCAR).
Cobrar qualquer valor menor do que este é um prejuízo enorme para quem trabalha profissionalmente prestando serviços. Muitas vezes, pensamos em ‘ser bacana’ e cobrar uma quantia amigável para algum conhecido ou para um conterrâneo, e acabamos por sofrer as consequências.
Sendo assim, olhar para o CAR como uma coisa solitária, é o primeiro erro cometido, dificultando ainda mais para que o CAR ocorra com sucesso. Baratear o preço final para o cliente é o principal, pois valores muito baixos não cobrem as despesas, os esforços e também não serve de ressalva para possíveis problemas. Quem quer trabalhar com o CAR deve ter em mente os riscos corridos e procurar aplicar um preço justo, não somente atrativo. Senão, acaba por perder tempo, dinheiro e principalmente, o profissionalismo. 

Fonte: Luiz Eduardo Faria

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Educação ambiental na questão Lixo


A educação ambiental é um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação, tornando-se aptos a agir, individual e coletivamente, e resolver problemas ambientais presentes e futuros.
Entre as características fundamentais da educação ambiental, destacam-se:
1 - O enfoque orientado à solução de problemas concretos da comunidade.
2 - O enfoque interdisciplinar dos problemas do meio ambiente.
3 - A participação da comunidade.
4 - O caráter permanente, orientado para o futuro.
Como a participação da população é ponto fundamental para o sucesso de qualquer programa de combate ao lixo a ser implantado pela Prefeitura, devem ser feitas campanhas de educação ambiental, desencadeadas em parceria com as instituições locais: escolas, igrejas, centros comunitários, etc.
Como colaborar
Veja como a população pode contribuir para que o problema do lixo seja resolvido ou minimizado em seu município:
- Reduzindo a quantidade de lixo, reaproveitando o que for possível;
- Separando o lixo que pode ser reciclado através da coleta seletiva;
- Cumprindo os dias e horários da coleta domiciliar;
- Não jogando lixo nas ruas, praças, jardins, etc.
- Não jogando lixo nas margens ou leito dos rios, lagos e igarapés;
- Cobrando ações da prefeitura, mas fazendo também a sua parte.
Campanha educativa
Para que a população participe ativamente das ações propostas para minimizar os problemas gerados pelo lixo, é imprescindível que a prefeitura e entidades envolvidas façam uma boa divulgação. Devem ser usados os meios de comunicação locais, como jornais, rádios, carros de som, faixas e outros mecanismos para difusão de informações e planos. A campanha educativa pode ser completada com a promoção de seminários, conferências e palestras.
Esclarecida e sensibilizada, a população se tornará a principal aliada da prefeitura na implantação do programa elaborado. Desta forma, a gestão ambiental passa a ser, de fato, um compromisso de toda a coletividade.
Por onde começar
Para implantar um programa que minimize os impactos negativos causados pelo lixo urbano, a prefeitura deve, primeiramente, conhecer a extensão do problema e caracterizar corretamente o lixo do município. O primeiro passo é fazer, portanto, uma pesquisa detalhada sobre o mesmo.
Proposta de roteiro
- Determinar a quantidade de lixo gerado por habitante num período de tempo especificado (taxa de geração por habitantes);
- Determinar as porcentagens dos vários componentes do lixo, como papel, vidro, matéria orgânica, etc (composição física);
- Determinar a quantidade de matéria orgânica do lixo (teor de matéria orgânica);
- Efetuar o balanço de massa contida no lixo;
- Determinar a quantidade de água contida na massa do lixo;
- Determinar o peso específico;
- Determinar a composição química do lixo;
- Verificar a existência do terreno disponível para servir como área de destino final;
- Realizar pesquisa de mercado, no próprio município ou nos municípios próximos, quanto ao consumo de materiais reciclados;
- Definir a quantidade de recursos financeiros que a prefeitura poderá dispor para implantação do projeto;
- Levantar o tipo de serviço que atualmente é feito no município.
Depois de concluído o levantamento, deve ser feito um exame cauteloso da informações coletadas. Com a ajuda de técnicos da prefeitura ou de órgãos ambientais ou técnicos contratados para este fim, a prefeitura deve avaliar, dentro do conjunto das alternativas, qual é a proposta que melhor se aplica à realidade do município. Só assim poderá montar a solução sob medida para o caso de determinada cidade.
C o n c l u s ã o
Encontrar soluções para os problemas gerados pelo lixo urbano constitui-se hoje num grande desafio. Os efeitos do acúmulo de lixo para o meio ambiente e a saúde da população têm levado a situações muitas vezes irreversíveis, através da contaminação ambiental e de doenças propagadas por conta disso, ou seja cria um enorme passivo ambiental e gera custos na saúde publica.
Cada município ou cidade deve buscar o modelo de gerenciamento mais adequado às suas características, sempre pensando de forma integrada. As soluções não podem ser tomadas isoladamente, mas como um conjunto de alternativas que, somadas, resultarão na superação do problema.
Gerenciar o lixo de forma integrada significa limpar o município com um sistema de coleta e transporte adequados, tratar o lixo utilizando as tecnologias mais compatíveis com a realidade local e dar-lhe um destino final ambientalmente seguro. Não se pode esquecer também a importância da educação ambiental.
Se não houver a participação efetiva da população neste processo, qualquer alternativa se tornará inviável, mesmo as melhores do ponto de vista técnico e financeiro. De nada adiante, por exemplo, utilizar o melhor sistema de coleta e transporte do lixo, se a população não respeitar os horários e não acondicioná-lo de forma correta e se não fizer essa separação entre dos resíduos, pois por melhor que a prefeitura faça a parte dela, não serão deslocados funcionários para fazer isso em sua casa, afinal a sua casa é o seu ambiente, você tem de cuidar dele, assim como nossa cidade, nosso país, nosso planeta é nossa casa, se cuidarmos bem, viveremos bem.
Limpar a cidade é obrigação da prefeitura, mas mantê-la limpa só será possível com a colaboração da comunidade.  

Fonte: Luiz Henrique Lopes

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Destino do Lixo Urbano


A falta de planejamento em relação ao crescimento populacional e o aumento por si só da quantidade de pessoas em alta velocidade somado a outros fatores, fazem o destino do lixo ser um grande problema. Além disso, faltam leis que pensem no descarte do lixo de forma que não prejudique o meio ambiente. Saiba que o lixo urbano é um dos principais poluidores do mundo.
No Brasil, poucas cidades descartam como deveriam o lixo, nem possuem um aterro sanitário como deveriam ter e a colocação acaba em qualquer lugar. Os prejuízos não se limitam ao meio ambiente, mas também a famílias que moram próximas a esses locais.
Os lixões ainda representam um risco direto para os catadores de lixo, e com a sobrevida que os lixões ganharam ate 2018 (Segundo a Medida Provisória (MP) 649/14), os que buscam coisas no meio de detritos e entre eles podem acabar se deparando com remédios fora da validade e objetos de uso hospitalar contaminados.
Para se ter uma ideia da proporção do problema que o lixo pode ocasionar quando não descartado como se deve, para cada pilha ou bateria jogada fora, um metro quadrado deste solo será contaminado.
O Lixo Urbano Sem Destino e os Perigos
O cuidado em descartar o lixo urbano é importante para evitar uma série de doenças, muitas delas graves, que alguns objetos podem causar. Por exemplo, cádmio, chumbo e mercúrio podem ocasionar doenças no sistema nervosa, algumas diretamente ligadas à coordenação motora.
Muito do que jogamos no lixo contém exatamente os componentes que falamos acima. Alguns exemplos como: lanternas, brinquedos eletrônicos, celulares e outros equipamentos elétricos e eletrônicos. Sem falar que quando esses objetos alcançam os lençóis freáticos e os rios terminam por contaminá-los. Por isso, é tão importante reciclar tudo aquilo que for possível.
A Importância da Reciclagem Como Destino do Lixo Urbano
Em países desenvolvidos, a reciclagem é levada muito a sério, tanto pelos governo quanto pelos habitantes. Já nos países subdesenvolvidos ou em via de desenvolvimento, como é o caso do Brasil, algumas cidades tomaram boas medidas em relação ao tema, enquanto outras, ainda está muito atrasadas.
A reciclagem prevê o uso do lixo para produzir um novo objeto. Tanto materiais orgânicos quanto os inorgânicos podem ser reaproveitados. Papel, plástico, metal e vidros são os materiais mais usados na reciclagem.
Nos países desenvolvidos esse processo de reciclagem começa na casa das pessoas, que são habituados a separar todo o lixo. Elas encontram lixeiras para cada um deles e a retirada é feita separadamente. Depois cabe ao governo designar para cada lugar o lixo recolhido e que será reciclado. Com essa atitude uma boa parte do lixo urbano, isto é, produzido pelas famílias e comércio, tem o destino certo e não polui o meio ambiente.
Alternativas de Reciclagem Para o Lixo Urbano
Um projeto chamado biodigestão pode ser uma das saídas para parte do lixo urbano. É uma ideia de energia renovável e uma forma de dar fim a restos orgânicos. Com essa técnica é possível criar adubos e também gás combustível e quem se encarrega do trabalho são as bactérias encontradas no meio ambiente. O método é usado no Brasil em algumas áreas rurais. E não pense que é nada novíssimo, a primeira vez que foi colocado em prática, era 1960, no Recife. Com o excremento bovino e o lixo orgânico se produzia adubo e gás que apresentava um excelente teor energético.
Nem tudo pode ser reciclado, como por exemplo: tocos de cigarro, fitas crepe, etiquetas adesiva e também no caso dos papéis, por exemplo, aquelas embalagens sujas podem acabar não servindo.
Por outro lado, tanta coisa pode ser reutilizada e essa é a melhor maneira de encontrar um destino para o lixo urbano.
Os metais, por exemplo, pode muitas vezes ser reutilizado, sem precisar por nenhum processo, como o ferro ou aço. E com isso muita economia é feita, como a redução do consumo de água, da poluição, do uso da energia, entre outras vantagens.
O Destino Correto do Lixo Urbano
Não é só colocar o lixo no saco, jogar fora e pronto. É bom parar para pensar onde ele está indo parar e o que você poderia ter colaborado se o mesmo fosse separado e recolhido também dessa forma.
O aterro sanitário que deveria receber parte do lixo deveria ser preparado, na verdade, o solo é que deveria. Para que ele não sofresse com a presença do lixo e nem que os rios próximos passassem por problemas. Neste caso, uma boa seria necessária com a colocação de argila compacta, geomembrana e brita.
Com esses três elementos os rios estariam protegidos. Porém, o que acontece hoje no Brasil é que a grande parte do lixo que é produzido pelas famílias vai parar em um terreno sem nenhuma preparação prévia e o pior a céu aberto. Calcula-se que por dia em todo o Brasil seja gerado 240 mil toneladas de detritos, sendo que o lixo urbano corresponde a praticamente a metade, 100 mil toneladas.
O pior é que dessa quantidade, 80% vai direto para o lixão a céu aberto. Apenas 10% que é encaminhado para aterros sanitários como devem ser e estão seguindo as normas para preservação do meio ambiente.
Sobre o Sistema de Compostagem
Quando falamos em sistema de compostagem estamos falando que é possível pegar todo o lixo orgânico e transformá-lo em útil para agricultura. Basta que as pessoas separem os restos de comida do resto do lixo descartado. É bom verificar, porém, se na sua cidade existe coleta de lixo orgânicos.
Se trata de uma coleta em um caminhão especial que leva o lixo urbano, neste caso, orgânico, direto para as usinas que fazem a compostagem.
Todo material vai para o que eles chamam de poços que seleciona e pesa o lixo orgânicos. É comum que outro tipo de lixo acabe mistura e para isso, pessoas trabalham nestes lugares separando o lixo. O que serve para fazer a compostagem volta para o caminhão depois de separado e é levado para o lugar onde é a técnica é desenvolvida.
São necessários de 2 a 4 meses para que todo aquele lixo orgânico que foi separado para compostagem, esteja pronto. Ele fica ao ar livre acomodado em pilhas e são usadas escovadeiras para revolver de vez em quando. Outro detalhe importante para o processo de compostagem é a temperatura a que esse lixo é submetido, 65 graus e a umidade que deve ficar em torno de 40% a 50%.
Respeitando esses detalhes, depois de passado os 2 ou 4 meses, o material está pronto para a segunda fase, que é de peneiramento. Feito isso é industrializado e depois pode ser usado na agricultura. 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Chorume


Chorume é uma substância líquida resultante do processo de putrefação (apodrecimento) de matérias orgânicas. Este líquido é muito encontrado em lixões e aterros sanitários. É viscoso e possui um cheiro muito forte e desagradável (odor de coisa podre).
O processo de tratamento do chorume é muito importante para o meio ambiente. Caso não seja tratado, ele pode atingir lençóis freáticos, rios e córregos, levando a contaminação para estes recursos hídricos. Neste caso, os peixes podem ser contaminados e, caso a água seja usada na irrigação agrícola, a contaminação pode chegar aos alimentos (frutas, verduras, legumes, etc).
Em função da grande quantidade de matéria orgânica presente no chorume, este costuma atrair moscas que também podem trazer doenças aos seres humanos.
Existe também o necrochorume que é o líquido resultante do processo de decomposição de cadáveres. Há também, neste caso, a necessidade do tratamento desta substância nos cemitérios.
Perigos
Como agente poluente, pode causar sérios danos ao meio ambiente, pois além da baixa biodegradabilidade, possui metais pesados os quais os organismos são incapazes de eliminar, acumulando-os. Embora muitos metais sejam essenciais para o crescimento dos organismos e para suas reações biológicas, o seu acúmulo em altos níveis é tóxico e causa sérios riscos, tanto para as plantas quanto para os animais, e consequentemente passando esses elementos para os predadores, o que pode danificar os sistemas biológicos e os processos bioquímicos a curto, médio e longo prazo.
Já foi observado que essa acumulação de metais pesados pode acarretar diversos problemas à saúde, como diarreia, tumores no fígado e tireoide, dermatoses, problemas pulmonares, rinite alérgica, além de alterações gastrointestinais e neurológicas.
O tratamento do chorume é de grande importância para o planeta e visa evitar que esse líquido atinja a água dos mananciais, contaminando os recursos hídricos e, por conseguinte, os seres aquáticos e inclusive os frutos e vegetais que da água também dependem para crescer. A grande quantidade de matéria orgânica no chorume é também causa de atração dos insetos, como baratas, moscas, mosquitos, além de roedores, que podem ser veículo de transmissão de doenças para os seres humanos.
Contudo, é necessário ter a consciência de que quanto mais se consome e menos se recicla e se reutiliza, mais lixo é gerado e mais resíduos sólidos são enviados ao local onde se formará o chorume. Por isso, é necessário obter produtos que minimizem o impacto ambiental causado pela grande quantidade de lixo e pela cultura de consumo exagerado.
Conhecido como líquido percolado, o chorume apresenta uma coloração bastante escura, odor forte característico, além de uma textura viscosa. Sua composição varia de acordo com diversos fatores, como, por exemplo, o tipo de detritos descartados sobre o solo, o tipo de solo da região, o teor de umidade do local, a quantidade de oxigênio distribuída, a forma como foi implantado o aterro sanitário, sua localização em relação ao lençol freático, entre outros. De um modo geral, na constituição desse líquido se encontram substâncias orgânicas (principalmente carbono e nitrogênio orgânico), além de materiais inorgânicos, como mercúrio, cobre, chumbo, arsênio, cádmio, cobalto e cromo.
Ao circular pelo solo em que o lixo foi depositado, o chorume carrega microrganismos, metais pesados, nitratos e fosfatos  e muitas outras substâncias. Dessa forma, é possível que o líquido atinja o lençol freático (reservatório de água subterrânea proveniente da água da chuva infiltrada no solo), poluindo-o. Quando o lençol freático é contaminado pelo chorume, as águas superficiais, como rios, lagos e minas também são poluídas, uma vez que são abastecidas por ele. Com a contaminação da água, as espécies aquáticas e as plantações irrigadas também são acometidas.
O chorume apresenta, ainda, uma elevada concentração de demanda biológica de oxigênio  (DBO), um parâmetro utilizado para determinar a quantidade de oxigênio necessária na degradação da matéria orgânica por processos bioquímicos. O aumento desse índice representa um grave problema ambiental: quando a necessidade de oxigênio é muito alta, pode ocorrer, como alternativa, a decomposição anaeróbia da matéria (sem presença de oxigênio), o que leva à produção de gases tóxicas como metano, gás carbônico, mercaptanas, amônia, fenóis e outros.
Uma forma de solucionar os impactos ambientais causados pelo chorume é o tratamento desse produto. Basicamente, existem duas formas de tratar o chorume: a forma aeróbia, em que é fornecido o oxigênio necessário para a decomposição completa da matéria; e a forma anaeróbica, que ocorre sem a presença de oxigênio em reatores fechados. A maneira como o chorume é tratado varia conforme sua composição e as suas características.
Coleta e tratamento
O impacto ambiental produzido pelo chorume é bastante acentuado. O seu tratamento é de um alto nível de complexidade e se torna um desafio constante para as empresas de saneamento ambiental.
O sistema de coleta do chorume é feito, normalmente, na base do aterro, onde o material é capitado através de drenos. Só depois de coletado ele é enviado para lagoas ou tanques preparados para receber o efluente. Esses tanques devem ser fechados e as lagoas impermeabilizadas, para receber de forma correta o material.
Depois da coleta, o chorume segue para o tratamento antes de ser reutilizado ou descartado. O tratamento é feito no mesmo local onde o material foi coletado. Dentre as formas de tratamento estão:
Tratamento Biológico: realizado nas lagoas anaeróbicas, aeróbicas e de estabilização;
Tratamento por Oxidação: onde é feita a queima e a evaporação do chorume;
Tratamento Químico: onde ocorre adição de substâncias químicas ao chorume.
No Brasil, a forma mais comum de tratamento é o biológico, por ser considerado bastante eficiente em aterros novos e com um alto teor de material bioquímico.
Tratamento Biológico
Este processo pode ser afetado por fatores como clima, idade do aterro e quantidade de carga orgânica existente no chorume. Pode-se dizer que ele é composto por três unidades:
Lagoa Anaeróbica: onde o chorume fica em tratamento por sete dias. A degradação da matéria orgânica ocorre na falta de oxigênio. A profundidade dessa lagoa deve ser de dois a quatro metros;
Lagoa Aeróbica: após sair da Lagoa Anaeróbica, o chorume recebe uma oxigenação forçada por três a cinco dias. Nessa etapa ocorre a remoção de metais pesados;
Lagoa de Estabilização: depois de passar pela Lagoa Aeróbica, o chorume se transforma em lodo que é posto em um leito de secagem, onde, depois de seco, poderá ser descartado da forma correta.
O tratamento Biológico se caracteriza pela eficiência, simplicidade e baixo custo. O chorume é tratado com base na estabilização da matéria orgânica. E mais, se o aterro não dispuser de condições para manter as três lagoas, pode optar pela escolha de uma delas. Assim, o chorume será tratado, de acordo com o mecanismo da lagoa escolhida (ou anaeróbica, ou aeróbica, ou de estabilização). Porém deste modo, o resíduo líquido não poderá ser reaproveitado ou mesmo despejado, só armazenado.
O chorume ainda é um desafio
Operar uma estação de tratamento de chorume ainda é um desafio a ser contornado. Dada a sua elevada carga bioquímica, a presença de substâncias tóxicas e metais pesados, o comprometimento do resultado final é bem maior.
O chorume é algo muito complexo, o que torna bastante difícil a determinação de técnicas de tratamento efetivas. Basicamente, as técnicas adotadas com sucesso por um aterro não garante que ao ser aplicado em outro aterro terá o mesmo resultado.
Essa dificuldade ocorre porque as identidades dos compostos presentes no chorume são complicadas de prever. Com isso, é impossível saber qual o tratamento é realmente efetivo. Mas, a necessidade de identificar esses compostos vem motivando uma pesquisa científica em nível mundial.
A eficiência dos métodos também fica comprometida em função da presença de compostos de difícil degradação biológica ou de grande resistência aos métodos convencionais. O que determina é um maior estudo envolvendo o chorume. Com isso, algumas novas propostas de tratamento estão sendo desenvolvidas com a finalidade de sanar essas dificuldades. A que vem se mostrando mais promissora propõe um processo misto, que abrange várias etapas de tratamentos já conhecidos.
Portanto, precisamos estar atentos e nos mantermos atualizados a respeito de como é tratado o chorume em nosso município, pois esta deve ser uma preocupação de todos! 

Fonte: Sites Pensamento Verde e Brasil Escola

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

BIOMAS DO BRASIL - BIODIVERSIDADE EM PERIGO


Devido a sua dimensão continental e à grande variação geomorfológica e climática, o Brasil abriga 7 biomas, 49 eco regiões, já classificadas, e incalculáveis ecossistemas.
Biomas são grandes estruturas ecológicas com fisionomias distintas encontradas nos diferentes continentes, caracterizados principalmente pelos fatores climáticos (temperatura e umidade) e formações vegetais relacionados à latitude. Assim, podemos dizer que bioma é um conjunto de vida (vegetal e animal) em escala regional de condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria. Entende-se por eco região um conjunto de comunidades naturais, geograficamente distintas, que compartilham a maioria das suas espécies, dinâmicas e processos ecológicos, e condições ambientais similares, que são fatores críticos para a manutenção de sua viabilidade a longo prazo.
Ecossistema designa o conjunto formado por todos os fatores bióticos e abióticos que atuam simultaneamente sobre determinada região. Caracterizam-se pelo fato de serem sistemas altamente complexos e dinâmicos, com tendência para a auto-organização e auto renovação. Os ecossistemas são, no fundo, o objeto de estudo da Ecologia.
“Os ecossistemas fazem parte de um bioma e são definidos formalmente como: unidade funcional de base em ecologia, porque inclui, ao mesmo tempo, os seres vivos e o meio onde vivem, com todas as interações recíprocas entre o meio e os organismos” (Dajoz).

Muitas vezes, o termo bioma é utilizado como sinônimo de ecossistema, no entanto, ao contrário do segundo que implica nas inter-relações entre fatores bióticos e abióticos, o primeiro significa uma grande área de vida formada por um complexo de habitats e comunidades.

Fatores Bióticos
Ocasionados pela presença de seres vivos ou suas relações. Os fatores bióticos são todos os seres vivos da biosfera.
Fatores Abióticos
Também chamados de não vivos, são os fatores ambientais como a água, o solo, a temperatura, a luminosidade e as propriedades físicas e químicas da biosfera. São ausentes da presença de seres vivos.
BIOSFERA
Conjunto de todos os ecossistemas da terra incluindo as regiões da hidrosfera (as águas) da litosfera (o solo) e da atmosfera (camada gasosa onde existe alguma forma de vida). Os ecossistemas que compõem a biosfera são condicionados por sua posição geográfica, sua história geológica e pela evolução biológica do planeta. Os grandes ecossistemas contém comunidade clímax que chamamos de biomas, em equilíbrio dinâmico com as condições ambientais.
AMAZÔNIA
A grande maioria das florestas tropicais brasileiras está concentrada neste bioma que fica localizada a norte do continente sul-americano.
67% estão em território brasileiro, sendo o restante distribuído entre a Venezuela, Suriname, Guianas, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador.
A existência de uma expressiva diversidade biológica é determinada por fatores como a grande heterogeneidade ambiental e a sua dimensão. Existem de 5 a 30 milhões de plantas diferentes, a maioria não identificada.
30 mil espécies vegetais reconhecidas, ou 10% das plantas do mundo, espalhadas em 3,7 milhões de Km2 (parte brasileira).
A Floresta Amazônica está distribuída em diversos tipos de ecossistemas associados como: Florestas fechadas de terra firme, várzeas ribeirinhas, campos, campinas, igapós, campinaranas.

As matas alagadas possuem várias espécies arbóreas de importância econômica e estão ao alcance das enchentes anuais. As flutuações do nível da água podem chegar a 10 metros ou mais. As árvores das florestas alagadas têm várias adaptações morfológicas e fisiológicas para viverem submersas, como raízes respiratórias e sapopemas, raízes laterais situadas na base da árvore. Plantas e animais da floresta alagada vivem em função das suas diversas adaptações especiais para sobreviver durante as enchentes.
A vegetação das florestas de várzea é mais rica do que as da floresta de igapó devido à fertilidade oriunda dos sedimentos. As várzeas são especialmente ricas e produtivas. Concentrava grandes comunidades indígenas. Atualmente são desenvolvidos vários projetos agropecuários e industriais.

A região da bacia amazônica ostenta a maior variedade de aves, primatas, roedores, jacarés, sapos, insetos, lagartos e peixes de água doce de todo o planeta. Por ali circulam 324 espécies de mamíferos, como a onça-pintada, a ariranha, a preguiça e o macaco-uacari. Vivem cerca de 25% da população de primatas do globo e 70 das 334 espécies de papagaios existentes. Com relação a peixe de água doce, concentra de 2500 a 3000 espécies diferentes. Só no Rio Negro podem ser encontradas 450 espécies enquanto que na Europa não se contam mais de 200.
CERRADO
É o nome regional dado às savanas Brasileiras. Estende-se pela região central do País, compreendendo os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, o oeste da Bahia, o sul do Maranhão e parte de Piauí, chegando a Rondônia e Pará. Cerca de 85% do grande platô que ocupa o Brasil central era originalmente dominado pela paisagem do cerrado, representando cerca de 1,5 a 2 milhões de km2, ou aproximadamente 20% da superfície do País. O clima típico é quente, semi úmido, com verão chuvoso e inverno seco. A pluviosidade anual fica em torno de 800 a 1600 mm. A paisagem do cerrado é caracterizada por extensas formações de savana, com matas ciliares ao longo dos rios, no fundo de vale. Outras vegetações podem aparecer na região dos cerrados, como os campos úmidos e as veredas de buritis. Nas maiores altitudes podem ocorrer os campos rupestres.
As árvores do cerrado são muitos peculiares, com troncos tortos, cobertos por uma cortiça grossa, e de folhas geralmente grandes e rígidas. Muitas plantas herbáceas têm órgãos subterrâneos para armazenar água e nutrientes. Cortiça grossa e estruturas subterrâneas podem ser interpretadas como algumas das muitas adaptações desta vegetação às queimadas periódicas. Acredita-se que, como em muitas savanas do mundo, os ecossistemas de cerrado vêm coexistindo com o fogo desde tempos remotos, inicialmente como incêndios naturais causados por relâmpagos ou atividades vulcânicas e, posteriormente, causados pelo homem.
Mais de 1.600 espécies de mamíferos, aves e répteis já foram identificados nos ecossistemas de cerrado. Entre a diversidade de invertebrados, os mais notáveis são os térmitas (cupins) e as formigas cortadeiras (saúvas). São eles os principais herbívoros do cerrado, tendo uma grande importância no consumo e na decomposição da matéria orgânica, constituindo uma importante fonte alimentar para outras espécies animais.
Considerado até recentemente como um ambiente pobre, o cerrado é hoje reconhecido como a savana mais rica mundo com a presença de alta diversidade vegetal e animal.
A fauna apresenta diversas espécies de aves, mamíferos, anfíbios e répteis, sendo muitas delas endêmicas. Estima-se que existam no bioma 10.000 espécies plantas, sendo 4.400 endêmicas. O cerrado se constitui ainda, num verdadeiro pomar natural, em que frutos se destacam pela variedade de formas, cores, sabores e aromas. Centena de espécies vegetais dessa região fornecem ao homem frutas saborosas e nutritivas, e um número incalculável é utilizado pela fauna silvestre. Destacam-se a mangaba, cagaita, marmelada-de-cachorro, o batiputá ou bacupari, o baru, marolo, pequi, guabiroba, araçá, araticum, caju, jatobá e o murici.
Estudos recentes estimam o número de plantas vasculares em torno de 5 mil. O bioma permaneceu relativamente preservado até a década de 1950. A partir do início dos anos 60 iniciou-se um processo de ocupação e o estabelecimento de atividades agrícolas na região o que propiciou a rápida redução da biodiversidade. Nas décadas de 1970 e 1980 muitos programas governamentais foram lançados com o propósito de estimular o desenvolvimento da região do cerrado. Este acelerado crescimento da fronteira agrícola originou desmatamentos, queimadas, uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos que resultou em 67% de áreas do cerrado a serem consideradas altamente modificadas com voçorocas, assoreamento e envenenamento dos ecossistemas.
Atualmente, a região contribui com mais de 70% da produção de carne bovina do País. É também um importante centro de produção de grãos (soja, feijão, milho e arroz). Como uma atividade secundária, grandes extensões de cerrado são ainda utilizadas na produção de polpa de celulose para a indústria de papel. Outra atividade recentemente implantada é o turismo. No entanto, as introduções dessas atividades reduziram o cerrado a cerca de apenas 20% de área do bioma em estado conservado. A necessidade urgente de se criar e manejar adequadamente novas unidades de conservação representativas do cerrado, é de enorme importância para a preservação da rica e variada biodiversidade deste bioma.
CAATINGA
Considerado como o único bioma exclusivamente brasileiro, está localizado na faixa sub-equatorial, entre a floresta amazônica e a floresta atlântica, compreendendo quase 10% da área total do território brasileiro, com aproximadamente 740.000 km2. Abrange os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, sul e leste do Piauí e norte de Minas Gerais. Possui um clima semi-árido com temperaturas médias anuais entre 27ºC e 29ºC, e índices pluviométricos irregulares variando de 250 a 1000mm por ano, concentrando-se durante 3 a 5 meses. Na estação seca a temperatura do solo, que é raso, pedregoso e alcalino, pode chegar a 60ºC. A vegetação da caatinga é extremamente diversificada proporcionando a ocorrência de espécies adaptadas às condições do ambiente (solo e clima). As espécies arbóreas e arbustivas apresentam folhas pequenas ou modificadas em espinhos, outras, com raízes superficiais para absorver o máximo de águas pluviais. Foram registradas cerca de 932 espécies vegetais, sendo 380 endêmicas. Algumas das espécies nativas da caatinga são: barriguda, amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, mandacaru e juazeiro.
A paisagem mais comum da caatinga é aquela apresentada durante a seca. As plantas apresentam um aspecto seco porém não estão mortas, apenas perdem as suas folhas para suportar a ausência de água. Suas folhas são caducas ou caducifólias, ou seja, caem na época da seca.
Os rios são intermitentes, correm apenas durante o período de chuvas, tendo seus cursos interrompidos durante a estação seca. O escoamento superficial é intenso, pois os solos são rasos e situados acima de lajedos cristalinos. Após as chuvas as plantas florescem e os animais se reproduzem, deixando descendentes que já possuem adaptações para suportar o longo período de seca seguinte. Mesmo durante a seca, a vida animal também é rica e diversificada. Espalhados pela caatinga existem regiões úmidas e de solo fértil chamadas de “brejos”.
Vive na caatinga as duas espécies de aves mais ameaçadas de extinção do país a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari).
Alguns animais típicos da caatinga são o sapo cururu, asa-branca, cotia, preá, veado catingueiro, tatu-peba, sagüi-do-nordeste e cachorro-do-mato.
O sertão nordestino é uma das regiões semi-áridas mais populosas do mundo. Os principais problemas que ameaçam o bioma são: não utilização de técnicas adequadas em sistemas de irrigação o que resultou na salinização de determinadas áreas e tornou a agricultura impraticável, a contaminação da água por agrotóxicos e o corte ilegal da vegetação nativa para a produção de lenha e carvão por parte de siderúrgicas e olarias.
Todos esses fatores têm contribuído na transformação de aproximadamente 40mil km2 da caatinga em áreas desérticas.
MATA ATLÂNTICA
Os primeiros estudos e registros sobre a Mata Atlântica mostram que esta floresta cobria boa parte do litoral brasileiro, estendendo-se tanto na região litorânea como nos planaltos e serras do interior. Até 1850 foram devastadas enormes áreas de mata em busca dos recursos naturais existentes, o primeiro a ser explorado foi o Pau Brasil (Caesalpinia echinata) que ocorria em toda a extensão da Floresta. Fatores como a mineração, os ciclos da cana-de-açúcar, do café, a pecuária, o processo desordenado de ocupação e a industrialização, contribuíram para a redução desse bioma.
Localizada sobre uma imensa cadeia de montanhas, ao longo da costa brasileira, seu substrato dominante compreende rochas cristalinas. As montanhas mais antigas foram formadas por atividades tectônicas enquanto que os seus morros arredondados foram formados por grandes blocos normalmente de rochas magmáticas.
O solo apresenta pH ácido, é pouco ventilado, sempre úmido, bastante raso e extremamente pobre, recebendo pouca luz devido à absorção dos raios solares pelo extrato arbóreo. O solo raso e encharcado é favorável ao desbarrancamento e à erosão.
Apresenta um alto índice pluviométrico chegando a valores entre 1800 a 3600mm por ano, devido a condensação da brisa oceânica carregada de vapor que é empurrada para as regiões continentais.
Nesse bioma a maioria dos rios é perene, possuindo rios de águas claras e rios de águas pretas. Os rios alimentados pela chuva são chamados “rios de água clara” que com maior intensidade, contribuem para a sua mudança de curso, resultando na erosão de suas margens externas e acúmulo de sedimento nas margens internas. Os rios de “água preta”, que possuem lentos cursos de água, drenam as planícies das restingas e mangues, recebendo grande quantidade de matéria-orgânica ainda em decomposição, o que lhes confere a coloração escuta. São rios que formam os estuários e, portanto, possuem relação com a água salgada, dependendo das condições da maré e da época do ano. A partir da mudança de curso, também podem ser formadas lagoas de água doce, brejos e lagunas de água salobra (próximas ao mar).
A fauna da Floresta Atlântica é uma das mais ricas em diversidade de espécies, estando entre as cinco regiões do mundo com maior número de espécies endêmicas. Apresenta uma das mais elevadas riquezas de aves do planeta. Com a possibilidade de existirem diversas espécies desconhecidas, os mamíferos são os componentes que mais sofreram com os vastos desmatamentos e a caça. Possui alto grau de endemismo devido ao processo de evolução das espécies, em área isolada das demais bacias hidrográficas brasileiras. Aves: 1020 espécies, 188 endêmicas, 104 ameaçadas de extinção. Mamíferos: 250 espécies, 55 endêmicas. Anfíbios: 370 espécies, 90 são endêmicas. Répteis: 150 espécies. Peixes: 350 espécies, 133 são endêmicas.
A vegetação presente nos ecossistemas da Mata Atlântica são formações florestais e não florestais, tais como: Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, Manguezais, Restingas, Campos de Altitude, Brejos Interioranos, Encraves Florestais do Nordeste.
Atualmente, os principais fatores de degradação da Mata Atlântica são o crescimento urbano e o consumo desordenado de seus recursos naturais.  Este bioma possui uma grande importância social, econômica e ambiental para o país. Restam apenas 8% da cobertura original.
É necessário que sejam adotadas medidas eficientes para a conservação, recuperação e o efetivo incentivo do seu uso sustentável.
PANTANAL
Com uma área aproximada de 496.000Km2 somente 140.000 km2 são áreas de planície alagável. A planície do pantanal é considerada a maior área úmida contínua do mundo.
Formada por uma grande bacia sedimentar, sua altitude varia de 75 a 100m acima do nível do mar. Este bioma engloba os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e ainda uma pequena parte do território da Bolívia e Paraguai. A planície do pantanal se insere na chamada bacia hidrográfica do alto Paraguai, formada por tributários do Rio Paraguai provenientes das cabeceiras do Planalto Central do Brasil. Os principais rios existentes no Pantanal são: o Rio Paraguai, Prata, Cuiabá, Taquari, Miranda, Aquidauana, Pantanal do Rio Negro e Taboco.
O clima da região é o tropical semi-úmido, e o índice pluviométrico médio gira em torno de 1500mm por ano, onde as chuvas se concentram no período do verão. A temperatura média anual varia entre 17ºC e 23ºC, podendo atingir mínimas de 0ºC no inverno devido a massas polares que penetram pelos vales do sistema Paraná-Paraguai. As maiores temperaturas, acima de 40ºC, são registradas nos arredores da cidade de Cuiabá.
Estima-se que existam 650 espécies de aves, 260 de peixes e 50 de répteis. Além de servir de habitat para várias espécies raras e ameaçadas, a região tem uma alta taxa de produtividade, permitindo inclusive o desfrute comercial de algumas essências nativas. A fauna é bastante rica e diversificada, porém, há muitas espécies ameaçadas de extinção como a capivara, tamanduá-bandeira, veado-mateiro, onça pintada, entre outros. O Tuiuiú ou Jaburu (Jabiru mycteria), ave-símbolo do Pantanal, com as asas abertas ultrapassa os 2 metros de envergadura. O maior peixe do Pantanal é o jaú que pode atingir 1,5m de comprimento e pesar até 120Kg.
Estimativas recentes indicam que cerca 20% da cobertura vegetal original da região já foi modificada. Apesar de todos os impactos que a região tem sofrido, grande parte dela permanece ainda intacta ou pouco alterada, mantendo populações significativas de espécies raras e ameaçadas. Desenvolveu-se na região uma cultura bastante sintonizada com o seu meio, conseguindo unir exploração econômica à manutenção do patrimônio natural da região.
Esse quadro que vem sendo alterado, em função da pressão pela intensificação de sua produtividade econômica.
A vegetação do Pantanal é um mosaico de matas, cerradões, savanas, campos inundáveis de diversos tipos, brejos e lagoas.
A flora pantaneira tem alto potencial econômico como as pastagens nativas, plantas apícolas, comestíveis, taníferas e medicinais.
Margeando os rios encontram-se as matas-ciliares ou matas de galeria, que são formadas por vegetais de grande e médio porte, intercalados por arbustos e ricas em trepadeiras ou lianas. Entre as espécies vegetais mais comuns nessas matas estão o tucum, o jenipapo, o cambará e o pau-de-novato.
Em regiões mais baixas e úmidas, onde as gramíneas predominam, encontram-se os campos limpos, pastagens ideais para a criação do gado que lá convive em harmonia com muitas espécies de animais silvestres.
Em pequenas elevações, quando o solo é rico, encontram-se capões de mato formados por árvores de porte elevado, como aroeira, imbiruçu, angico e ipês.
Durante as chuvas, a maioria dos campos limpos é inundada, mas os capões permanecem secos.
A região tem atraído a atenção de diversas organizações conservacionistas em função da riqueza de sua vida silvestre, e do importante papel que exerce como reguladora do hidrológico de toda a bacia do rio da Prata.
A maioria das ameaças ao equilíbrio da região está associada a formas de manejo e uso da terra baseada em técnicas não sustentáveis como: Poluição de sistemas aquáticos, monocultura, queimadas e desmatamentos, turismo praticado fora dos padrões ambientalmente adequados, assoreamentos provocados pelo desmatamento de matas ciliares, contaminação de peixes por mercúrio, caça predatória de animais silvestres.
PAMPAS OU CAMPOS SULINOS
Este bioma abrange uma área de 210mil km2, que se estende pelo Rio Grande do Sul e ultrapassa as fronteiras com o Uruguai e Argentina.  Marcados pelo clima subtropical, apresentam temperaturas amenas e chuvas regulares durante todo o ano. No verão pode alcançar altas temperaturas chegando a 35ºC, enquanto que o inverno é marcado por geadas e neve em algumas regiões, podendo marcar temperaturas negativas. A precipitação anual está em torno de 1200mm, com chuvas concentradas nos meses de inverno. O clima é frio e úmido. A vegetação é predominantemente herbácea, com alturas que variam de 10 a 50cm. A paisagem é homogênea e plana, assemelhando-se, a um imenso tapete verde.
No litoral do Rio Grande do Sul, a paisagem já se apresenta diferenciada, com ambientes alagados e com vegetação formada por espécies como o junco, gravatás e aguapés. Nas encostas do planalto, ocorrem os chamados campos altos, área de transição com predomínio de araucárias, sendo mais conhecida como Mata dos Pinhais.
Agricultores e pecuaristas foram atraídos para a região devido ao seu solo fértil e condições naturais favoráveis, o que ocasionou uma desordenada expansão, gerando um acelerado desgaste do solo e iniciando um processo de desertificação em algumas áreas desse bioma. A conversão dos campos em outros tipos de uso vem transformando profundamente sua paisagem e colocando suas espécies sob ameaça de extinção. As queimadas ilegais, praticadas anualmente, estão entre os principais problemas que afetam os Campos Sulinos. A expansão dos plantios de soja tem descaracterizado intensamente a paisagem.
Possuem uma diversidade de mais de 515 espécies vegetais, tendo as árvores de maior porte como fornecedoras de madeira.
Já os terrenos planos das planícies e planaltos gaúchos e as coxilhas, são colonizados por espécies pioneiras campestres que formam uma vegetação tipo savana aberta.
É um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com espécies endêmicas, raras, ameaçadas de extinção, espécies migratórias, cinegéticas e de interesse econômico.
As principais espécies ameaçadas de extinção são: Onça-pintada, jaguatirica, macaco mono-carvoeiro, macaco-prego, guariba, mico-leão-dourado, preguiça-de-coleira, caxinguelê.
Entre as aves destacam-se o jacu, o macuco, a jacutinga, o tiê-sangue, a araponga, o sanhaço, numerosos beija-flores, tucanos, saíras e gaturamos.
Entre os mamíferos, 39% também são endêmicos, o mesmo ocorrendo com a maioria das borboletas, dos répteis, dos anfíbios e das aves nativas.
Neste bioma sobrevivem mais de 20 espécies de primatas, a maior parte delas endêmicas.
ZONA COSTEIRA E MARINHA
A costa brasileira abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental.
Ao longo do litoral brasileiro podemos encontrar manguezais, restingas, dunas, praias, ilhas, costões rochosos, baías, brejos, falésias, estuários, recifes de corais e outros ambientes importantes do ponto de vista ecológico. Devido às diferenças climáticas e geológicas da costa brasileira encontraremos diferentes espécies de animais e vegetais em cada ambiente. Os manguezais, de expressiva ocorrência na zona costeira, cumprem funções essenciais na reprodução biótica da vida marinha.  A maior presença residual de Mata Atlântica está situada na zona costeira.
Iniciando na foz do rio Oiapoque e estendendo-se até o delta do rio Parnaíba, o litoral amazônico apresenta grande extensão de manguezais exuberantes, assim como matas de várzeas de marés, campos de dunas e praias, abrigando uma rica biodiversidade de espécies de crustáceos, peixes e aves. Começando na foz do rio Parnaíba e indo até o Recôncavo Baiano, o litoral nordestino é marcado pela presença de recifes calcíferos e areníticos, além de dunas que quando perdem a cobertura vegetal que as fixam, movem-se com a ação do vento. Ocorrem também manguezais, restingas e matas.
Nas águas do litoral nordestino vivem o peixe-boi marinho e a tartaruga marinha, ambos ameaçados de extinção. O litoral sudeste segue do Recôncavo Baiano até o Estado de São Paulo,sendo a área mais densamente povoada e industrializada do País. Tem como característica áreas de falésias, recifes e praias de areias monazíticas (mineral de cor marrom-escura). É denominada pela Serra do Mar e tem a costa muito recortada, com várias baías e pequenas enseadas, cujo ecossistema mais importante vem a ser a Mata de Restinga com espécies ameaçadas de extinção como o mico-leão-dourado e a preguiça-de-coleira.
O litoral sul começa no Estado do Paraná e termina no Rio Grande do Sul. Conta com muitas áreas de banhados e manguezais, cujos ecossistemas proporcionam a presença de diversas espécies de aves e mamíferos como capivaras, além de espécies como o ratão-do-banhado e de lontras que estão ameaçadas de extinção.
A densidade demográfica média da zona costeira brasileira fica em torno de 87hab/km2, sendo cinco vezes superior à média nacional que é de 17hab/ km2. Nota-se através da densidade demográfica que a formação territorial foi estruturada a partir da costa, tendo o litoral como centro difusor de frentes povoadoras. Metade da população brasileira reside numa faixa de até duzentos quilômetros do mar, e sua forma de vida impacta diretamente os ecossistemas litorâneos. Os espaços litorâneos possuem riquezas significativas de recursos naturais e ambientais. Com a intensidade que o processo de ocupação desordenado vem ocorrendo, todos os ecossistemas presentes na costa litorânea do Brasil estão sob ameaça. A zona costeira apresenta situações que necessitam tanto de ações preventivas como corretivas para o seu planejamento e gestão, a fim de atingir padrões de sustentabilidade para estes ecossistemas.
O Brasil apresenta uma das maiores extensões de manguezais do mundo: desde o Cabo Orange no Amapá até o município de Laguna em Santa Catarina. O manguezal ocupa uma superfície total de mais de 10.000 km², a grande maioria na Costa Norte. No passado, a extensão dos manguezais brasileiros era muito maior, porém a construção de portos, indústrias, loteamentos e rodovias costeiras fez com que sua destruição fosse acelerada. Os manguezais não são muito ricos em espécies mas destacam-se pela grande abundância das populações que neles vivem, por isso podem ser considerados um dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil.
Somente três árvores constituem as florestas de mangue: o mangue vermelho (Rhizophora mangle), o mangue seriba (Avicennia sp.) e o mangue branco (Laguncularia racemosa). As árvores são acompanhadas por um pequeno número de outras plantas, tais como a samambaia do mangue, o hibisco e as gramíneas. Ricas comunidades de algas crescem sobre as raízes aéreas das árvores na faixa coberta pela maré.
Quanto à fauna, destacam-se várias espécies de caranguejos, formando enormes populações nos fundos lodosos. Nos troncos submersos, vários animais filtradores alimentam-se de partículas suspensas na água, a exemplo as ostras. A maioria dos caranguejos são ativos na maré baixa, enquanto os moluscos alimentam-se durante a maré alta. Muitos dos peixes que constituem o estoque pesqueiro das águas costeiras dependem das fontes alimentares do manguezal. Diversas espécies de aves comedoras de peixes e de invertebrados marinhos nidificam nas árvores do manguezal, alimentam-se na maré baixa.
Os manguezais fornecem uma rica alimentação protéica para a população litorânea. A pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos é para os moradores do litoral, a principal fonte de subsistência.
De grande importância econômica e social, o manguezal foi sempre considerado um ambiente pouco atrativo e menosprezado. No passado, a presença do mangue estava intimamente associada à febre amarela e à malária. Embora estas enfermidades já tenham sido controladas, a atitude negativa em relação a este ecossistema perdura em expressões populares onde a palavra mangue, infelizmente, adquiriu o sentido de desordem, sujeira ou local suspeito. A destruição gratuita, a poluição doméstica e química das águas, derramamentos de petróleo e aterros mal planejados, são os grandes inimigos do manguezal.
Alerta
Indubitavelmente o Brasil é um dos países mais ricos, em se tratando de biodiversidade. Porém o acelerado crescimento da população humana, aliado a ocupação inadequada do solo através da agricultura e da pecuária tem ocasionado a destruição desta riqueza. Cabe a nós e ao poder publico buscar meios de se conservar esta biodiversidade encontrada nos biomas brasileiros. O uso sustentável dos recursos naturais é uma ótima alternativa, pois desta forma teremos estes recursos por um período bem maior de tempo, que servirá para nós, aqui no presente, bem como para nossos descendentes no futuro.
 
Fonte: Miguel Jeronymo Filho

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Corais e sua importância ao Meio Ambiente


O que são
Pequenos e frágeis animais marinhos do grupo dos cnidários que possuem esqueleto calcário (rígido) ou córneo (flexíveis). Durante muito tempo foram considerados plantas, por sua forma e hábito de viverem fixos no fundo do mar. No entanto, em estudos posteriores, observou-se que eles pertencem ao reino animal. Os cnidários incluem um grupo de organismos bem variados: águas-vivas, medusas, anêmonas do mar, octocorais, corais pétreos e corais de fogo. Esses organismos podem viver isoladamente ou, como a maioria, constituírem colônias que apresentam grande variedade de formas, cores e tamanhos.
Ambientes dominados por corais contribuem para o aumento da produtividade dos ecossistemas marinhos costeiros, pois realizam processos de produção de matéria orgânica e reciclagem de nutrientes que beneficiam não apenas a fauna local, mas também espécies transitórias que utilizam os corais para a reprodução, proteção ou alimentação.
Importância econômica
Esses ambientes são de extrema importância econômica, pois através da riqueza da fauna e da flora, são uma grande fonte de alimento para a pesca comercial e de subsistência. Possuem um grande potencial de compostos medicinais e industriais e oferecem oportunidades recreativas e educacionais que estimulam a indústria de turismo. Os ambientes de corais são, portanto, fonte de renda para populações que vivem nas áreas costeiras e que dependem diretamente de sua existência.
Condições ambientais
Os corais ocorrem em condições ambientais bem delimitadas: águas rasas e iluminadas com temperaturas entre 25 e 29ºC, salinidade próxima a 36 e baixo número de partículas em suspensão. Devido à sua estreita faixa de tolerância, pequenas mudanças na qualidade do ambiente podem afetar criticamente os processos biológicos das comunidades de corais. As maiores ameaças à vida dos corais estão divididas em dois grupos gerais: as causadas por agentes naturais e aquelas decorrentes da ação do Homem. Impactos naturais como efeitos de tempestades, epidemias de doenças em organismos recifais e aumentos maciços nas populações de predadores, geralmente não destroem os recifes quando isolados e pontuais no tempo e no espaço.
Os agentes mais comuns na degradação dos corais são o turismo e a recreação, a pesca predatória, a contaminação por poluentes tóxicos, o lançamento de esgoto "in natura", a produção de lixo e o uso do solo desordenado que gera uma grande carga de sedimento terrígeno no mar, sobretudo em decorrência do excesso de desmatamentos na zona litorânea.
As duas formas de reprodução dos corais
Existem duas formas de reprodução dos corais, a sexuada e a assexuada. Na reprodução sexuada, ocorre a fecundação do gameta masculino, espermatozóide, com o gameta feminino, ovócito, originando-se a plânula. Apesar da grande maioria dos corais serem hermafrodita, algumas colônias produzem gametas de apenas um sexo, que irão fecundar gametas de outras colônias. Na reprodução assexuada não a fertilização dos gametas, isso significa que cada novo indivíduo apresenta as mesmas características genéticas da colônia que o gerou, sendo que nesse caso os corais já são hermafroditos. O crescimento da colônia se dá por um tipo de reprodução assexuada, conhecida como brotamento, ou seja, as colônias crescem através de um processo de calcificação.
A importância dos corais para os outros seres marinhos
Uma das funções dos corais é servir de habitat para outros animais marinhos, como peixes e caranguejos, além de servirem de esconderijo para os mesmos, de seus predadores. Várias espécies de peixes e crustáceos com grande valor comercial tais como o Pargo, O Sirigado, a Lagosta e o Camarão, necessitam dos recifes de corais em várias fases de suas vidas, sendo eles ricos em espécie. Outra importante função dos corais é promover a separação do bicarbonato de cálcio presente na água marinha, com precipitação e formação do carbonato de cálcio, através de uma associação com algas verdes, que vivem no interior das células dos pólipos de corais, que se juntam e fazem fotossíntese, fornecem ao coral uma parte de seu alimento, e são de um modo geral a base de todo um ecossistema marinho.
No Brasil
Possui diversas espécies de corais que ocorrem unicamente em nosso país (espécies endêmicas) que são de grande importância biológica para o habitat marinho. Como ainda existem poucos estudos sobre corais, acredita-se que existam diversas espécies ainda desconhecidas. Até hoje, expedições de reconhecimento nos recifes da Bahia descobrem espécies desconhecidas pelos cientistas de todo o mundo ou que ainda não foram registradas em águas brasileiras.
Curiosidade
A princípio é bom lembrar que no estado do Ceará não existem importantes recifes de corais, No Brasil os recifes de corais estão distribuídos por aproximadamente três mil quilômetros da costa do estado do Maranhão ao sul da Bahia (Abrolhos), os quais representam as únicas formações de recifes do atlântico sul.
O maior recife de coral do mundo é A Grande Barreira de Recife Australiana. Lá tem uma paisagem exótica, o que faz ser um local turístico na Austrália. Por isso mesmo A Grande Barreira de Recife Australiana é um local muito ameaçado como todos os outros recifes de corais. 

Fonte: Projeto Ecorais