quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ameaça silenciosa aos polinizadores


Polinizadores como abelhas, borboletas, mariposas, besouros, aves e morcegos garantem a produção de um terço dos cultivos mundiais e a reprodução de plantas em ecossistemas inteiros, como as florestas tropicais. Sem polinizadores, a maioria das plantas nativas e das cultivadas que consumimos não sobreviveria. Entretanto, o número de polinizadores está declinando em todo o mundo e seu declínio implica em uma ameaça à manutenção da biodiversidade e à saúde e alimentação humana.
As principais causas desse declínio são o uso indiscriminado de pesticidas e herbicidas, a existência de espécies invasoras, a perda e fragmentação de ambientes naturais e a degradação ambiental (quando habitats perdem sua qualidade). Esses fatores reduzem tanto o número de espécies de plantas com flor, que são fontes de alimento para os polinizadores, quanto o número de locais disponíveis para reprodução, abrigo e migração dos polinizadores. Mas, há pouco, uma ameaça silenciosa começou a ser observada: as mudanças climáticas.
Em um estudo recente publicado na revista científica PLoS ONE mostramos que as mudanças climáticas deverão diminuir em muito os locais adequados para a sobrevivência de mariposas, um dos grupos de polinizadores mais diverso e importante para a manutenção dos ecossistemas naturais. Pior ainda, nem as Unidades de Conservação serão capazes de conter essa redução. Locais que satisfaziam as necessidades dos polinizadores começam a se tornar inabitáveis à medida que a temperatura aumenta ou varia muito, as chuvas tornam-se imprevisíveis e a vegetação muda.
Mude ou extinga-se
Na tentativa de acompanhar essas mudanças, as espécies podem fazer uma dessas três coisas: em primeiro lugar, elas podem migrar para outro local que tenha as condições adequadas para sua sobrevivência. Mas isso só é possível caso esse local exista e esteja dentro do alcance dos indivíduos. Porém, hoje, com o ambiente alterado, essa tarefa pode ser bem complicada. Imagine-se uma pequena borboleta, tendo que cruzar um "mar" de 10 km de plantação de soja ou cana-de-açúcar até encontrar abrigo em uma matinha ou floresta. Cansou? Pois é, eu também.
Além disso, elas podem se adaptar localmente. Isso é bem mais fácil de dizer do que fazer. A adaptação é um processo complexo que envolve desde a variabilidade genética encontrada na espécie até a mudança de seus padrões comportamentais. Há pesquisas sobre adaptação de espécies às mudanças climáticas, mas elas ainda são feitas para poucos organismos e os cientistas não conseguem extrapolar seus resultados para todas as espécies.
Finalmente, elas podem se extinguir. Ok, isso não é bem uma opção. Nenhuma espécie opta por desaparecer.
Tudo isso acontece com os polinizadores. O que a maioria das pessoas não entende é que a perda de polinizadores implica em uma perda econômica na agricultura, silvicultura e em um desequilíbrio na natureza.
Diversos estudos já mostraram a importância de se manter porções de habitat nativo dentro de propriedades particulares para garantir e inclusive aumentar a produção agrícola. Antes de tudo, o cumprimento da legislação ambiental sobre a proteção da vegetação nativa é uma questão de segurança alimentar (e hídrica), já que a maioria dos polinizadores, que garante e aumenta nossa produção de alimentos, vive em ambientes remanescentes como as reservas legais, áreas de proteção permanente e Unidades de Conservação.
Mas pelo menos dentro das Unidades de Conservação os polinizadores estão protegidos, certo? Errado.
Perigo maior na Mata Atlântica
Nossos estudos na Mata Atlântica mostram que em 2080, a maioria das Unidades de Conservação da Mata Atlântica não terá um clima adequado para mariposas, por exemplo. Cerca de 4% desses polinizadores (20 das 507 espécies estudadas) deverão ser extintos na Mata Atlântica e muitos deles só ocorrem nesse bioma. De fato, apenas algumas poucas UCs ao sul da Mata Atlântica, em locais altos e mais frios, serão capazes de manter condições ótimas para esses animais. Neste bioma a perda de polinizadores é particularmente crítica, uma vez que ele possui 8.000 espécies de plantas que só ocorrem ali e que 95% da produção de sementes por plantas depende dos polinizadores. Isso sem mencionar que o que resta da Mata Atlântica (só resta cerca de 11% deste bioma) provê água às cidades ao longo do litoral brasileiro e sustenta inúmeras comunidades rurais cuja subsistência depende da conservação dos recursos da floresta.
Mas nem tudo está perdido. Ecólogos e cientistas da conservação têm concentrado esforços para entender melhor como espécies respondem às mudanças climáticas. Esse entendimento pode guiar e antecipar a tomada de decisão para conservação de polinizadores. Melhor ainda, ele permite que mais informação biológica seja incluída em estudos que estimam perdas econômicas advindas da extinção de polinizadores, tanto em áreas cultivadas como em ambientes protegidos, como nos Parques Nacionais.
Em outro estudo recente, a ser publicado na revista Oikos, pesquisadores norte-americanos investigaram como borboletas escolhiam onde colocar seus ovos nas plantas em função da temperatura do ambiente. Por meio de observações feitas em campo, eles chegaram à conclusão de que as borboletas colocam seus ovos próximos ao chão quando estão em locais mais quentes, e na parte mais alta das plantas quando estão em locais mais frios, como no alto de montanhas. Ovos colocados a menos de 50 cm do chão são, em média, 3°C mais frios que aqueles colocados à 1metro do chão. Assim, as borboletas estudadas minimizam os efeitos do aquecimento local e interferem no local onde os ovos serão depositados por meio de uma alteração em seu comportamento. Isso nos dá pistas de que há espécies que poderão ser capazes de minimizar os efeitos de um aquecimento generalizado, pelo menos nos locais onde vivem.
Com tudo isso, espera-se que cientistas, ONGs, governo e atores locais reúnam-se e definam políticas públicas que visem à conservação de polinizadores dentro e fora de Unidades de Conservação. Isso já acontece no Brasil dentro da Iniciativa Brasileira de Polinizadores, uma ação que integra um projeto sobre conservação e uso sustentável de polinizadores liderado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Ajude também
Para quem quer se envolver com a questão, há inúmeras iniciativas para prevenir a extinção de polinizadores. Para o cidadão, essas iniciativas vão desde o cultivo de jardins nas cidades, com plantas nativas que atraem diferentes polinizadores como abelhas nativas, mariposas, borboletas e aves, até a construção de pequenos hotéis para insetos, passando pela participação em eventos sobre polinização. Você pode se inscrever do XI Curso Internacional de Polinização, que acontece de 8 a 20 de dezembro de 2014. Há também um livro publicado no ano passado com o qual você pode aprender mais sobre a importância da polinização e dos polinizadores para a nossa saúde e a dos ecossistemas.
Se você é um pesquisador ou estudante da área, pode contribuir bastante divulgando resultados de suas pesquisas para o público geral por meio das redes sociais, blogs e da imprensa. Se é um gestor de Unidade de Conservação pode identificar se polinizadores na área sob sua supervisão será impactada por mudanças climáticas e estimular ações de restauração da vegetação nativa, além de fomentar programas de educação ambiental voltados para comunidades locais e visitantes.
Se é um agente do governo, pode levantar a questão em fóruns apropriados e impulsionar a discussão e implementação de estratégias de ação nas instâncias competentes por meio de oficinas, reuniões e comissões.
Como você vê, há várias oportunidades de se envolver com o assunto e ajudar no problema. Vamos agir agora para que os polinizadores fiquem a salvo antes que seja tarde demais para eles e para nós mesmos. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

LIXO - Inimigo invisível


O problema
Cada vez mais presente em nossas vidas e, ainda assim, muitas vezes invisível, o lixo é um dos maiores inimigos do mundo contemporâneo. É possível acabar com ele?
O ritual de colocar o lixo para fora de casa traz uma sensação irreal; a de que a nossa relação com aqueles resíduos termina ali, distante da intimidade dos nossos lares. Uma pesquisa do Ibope, há dois anos, apontava o tratamento e acúmulo de lixo como a quarta preocupação do brasileiro sobre o meio ambiente, atrás de desmatamento, poluição da água e aquecimento global. "Como na maior parte do Brasil existe coleta de lixo, ele parece ser objeto de um passe de mágica; você o coloca para fora de casa e alguém o leva", explica Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. "O problema vem de um impacto que não é perceptível", completa.
Como produzir menos lixo
Para Mattar, a falta de conhecimento sobre os impactos do lixo no meio ambiente ajuda nessa passividade. "Para as pessoas, uma vez que o lixo sai dos domicílios, alguém está cuidando dele. O suposto é que o problema está sendo resolvido. Mas o impacto da decomposição nos lixões, que gera enormes quantidades de chorume que entram pela terra e poluem lençóis freáticos, é algo que não é visto. É completamente invisível, opaco."
Em 2013, cada habitante do Brasil produziu em média pouco mais de 1 quilo de lixo ao dia. Esse número - que não considera, por exemplo, dejetos industriais - é parecido com a média de outros países, como Suécia e Estados Unidos. A diferença, entretanto, está no destino desse lixo.
Resolver a questão pode não ser simples, mas há alguns caminhos para isso. Afinal, a maior parte dos resíduos pode ser reaproveitada, especialmente na compostagem (para orgânicos), reciclagem e até na polêmica queima para geração de energia. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei aprovada em 2010 depois de mais de duas décadas de debate e impasse, é um marco nesse sentido.
Repensando o consumo - Analise se você precisa mesmo comprar um novo produto e avalie se pegá-lo emprestado de alguém ou alugá-lo não é viável e mais fácil - de repente você nem vai usá-lo muito: pense na durabilidade e qualidade: evite modismos, utilize até o fim da vida útil tudo o que você compra.
Aproveitando integralmente os alimentos - Muito do que vai para o lixo atualmente poderia facilmente ser usado em receitas variadas. O site da organização não governamental Banco de Alimentos, que atua no combate ao desperdício, tem várias recomendações de como aproveitar melhor a comida.
Reutilizando - O computador quebrou? É melhor arrumá-lo do que comprar outro novo. Acabou o sorvete? O pote pode virar embalagem para alimentos. Prefira consertar e dar novas utilidades às coisas do que enviá-las à reciclagem, que consome energia, ou ao aterro, onde podem contaminar o meio ambiente.
Avaliando o impacto negativo - Prefira produtos que tenham embalagens menores - 20% do lixo urbano gerado no Brasil vem daí. Use sacolas retornáveis todas as vezes que precisar ir ao mercado, pois isso reduz o consumo de sacolinhas plásticas descartáveis, que depois irão para o lixo.
Doando - Se algo ainda pode ser reaproveitado por outras pessoas e não tem mais utilidade para você, doe em vez de jogar no lixo. De roupas e aparelhos eletrônicos a sobras de alimento comprado em excesso, tente fazer o exercício de pensar em como aquilo pode ser útil para o próximo.
O destino do lixo
Anualmente o Brasil produz em torno de 62.730.096 toneladas de lixo urbano (IBGE 2012).
Central de Triagem para Reciclagem - Depois de recolhido separadamente pela coleta seletiva, o material reciclável segue para essas centrais - que podem ser mecanizadas ou de triagem manual. E, depois de segregado de acordo com a sua composição, cada tipo de material é vendido para empresas que reciclam materiais específicos - como plástico PET, papel branco e outros - para fazer novos produtos.
Lixões - Mesmo proibidos, eles continuam em atividade em mais da metade dos municípios brasileiros. E geram mais problemas do que soluções. O chorume, o líquido gerado pelo lixo, contamina o solo e pode chegar ao lençol freático, contaminando também a água: os gases da decomposição dos dejetos, como o metano, são liberados sem controle: a céu aberto, os detritos atraem animais e insetos.
Aterros controlados - Tomam alguns cuidados para diminuir o impacto ambiental dos resíduos ali depositados, mas apresentam pouca evolução em relação aos lixões. O chorume pode ser parcialmente captado, contaminando menos o solo e o lençol freático: parte do gás gerado na decomposição é queimado, mas sem controle: camadas de grama e/ou argila cobrem o lixo e controlam a concentração de animais e insetos.
Aterros sanitários - São construídos com controle dos gases gerados pelo lixo, além de evitarem a contaminação do solo e do lençol freático. A base é impermeabilizada com camadas que impedem o vazamento de chorume. Esse líquido vai para tratamento: os gases são eliminados por queima ou armazenados: a quantidade de lixo é calculada, e ele é disposto em camadas que vão sendo cobertas.
Como este problema já foi resolvido em outros lugares
"A culpa no crescimento de resíduos não é de quem lida com ele, e sim o resultado do consumo de todos", diz Anna-Carin Gripwall, diretora de comunicação da Avfall Sverige, associação que cuida da gestão de resíduos na Suécia. O país europeu virou referência na área ao reduzir para apenas 1% a quantidade de lixo que acaba em aterros sanitários. Ainda assim, é necessário fazer mais, acredita a porta-voz; "É preciso focar mais na redução, reutilização e reciclagem."
O projeto sueco começou nos anos 60 com uma campanha de conscientização quanto aos resíduos sólidos, destacando a importância da separação de recicláveis e a responsabilidade de cada um, conquistando assim a colaboração e a confiança do público. Esse esforço na educação ambiental é semelhante ao que foi aplicado no Japão no mesmo período - e que levou a cenas surpreendentes na Copa do Mundo no Brasil, quando torcedores japoneses se organizaram para recolher a sujeira das arquibancadas depois dos jogos.
Nos Estados Unidos, San Francisco é exemplo nessas ações. O programa Zero Waste tem um objetivo claro; não enviar material algum para aterros ou incineração, isso graças a uma série de ações que encaminham o resíduo sólido para a reciclagem e o orgânico para a compostagem, além de estimular a diminuição da produção de lixo em geral.
Para facilitar a coleta e o tratamento do lixo, a cidade criou um sistema que divide o lixo em três caçambas residenciais; recicláveis, material orgânico compostável e o que deve ser aterrado. E sim; além de separar o lixo, o consumidor paga um imposto específico, que varia entre R$ 58,50 e R$ 80,80, dependendo do tamanho das caçambas usadas. Ou seja, menos resíduo produzido equivale a menos dinheiro gasto.
Como resolver aqui no Brasil
Com a Política Nacional de Resíduos, as responsabilidades quanto ao lixo ficam bem mais claras. "Antes, os responsáveis pelo resíduo eram os municípios", explica Silvano Silvério da Costa, presidente da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana de São Paulo, que também já trabalhou no Ministério do Meio Ambiente. "Agora existe a chamada 'responsabilidade compartilhada'. Os fabricantes, indústria, importadores e comércio passaram a também ser responsáveis pelos resíduos gerados a partir de produtos que colocaram no mercado", completa.
"O grande desafio para fazer com que as pessoas se engajem na solução dos problemas é mostrar que elas de fato poderiam viver em uma sociedade muito melhor se todos se dedicassem, sem esperar que algo completamente abstrato, como 'o governo', fosse resolvê-los", afirma Helio Mattar. Para que o problema "invisível" do lixo brasileiro comece a ser solucionado, existem alguns caminhos possíveis.
Cada brasileiro produz em média 383 kilos de lixo por ano (IBGE 2012).
O conhecimento tem de ser espalhado
Fazer a população entender a necessidade de separar o lixo orgânico do reciclável já é um grande desafio, mas o que vai acontecer quando o Brasil chegar ao ponto de ter de separar orgânico, reciclável e rejeito (lixo que não pode ser reaproveitado, tendo de ser aterrado)?
Um exemplo brasileiro de sucesso com a educação sobre resíduos é o de Curitiba. Ações de conscientização entre 2005 e 2012, como a campanha SE-PA-RE, levaram a população a separar o material reciclável a ser coletado, gerando um aumento de 192% na reciclagem local. A Prefeitura também investe, desde o fim dos anos 80, em uma campanha chamada Câmbio Verde, na qual recicláveis são trocados por verduras, legumes e frutas.
Será preciso empenho de cada um
Por volta de 51% do lixo urbano é material orgânico, que acaba em aterros ou lixões. Se no campo de coleta seletiva de recicláveis é vista uma evolução constante, mesmo que lenta, os orgânicos ainda estão em segundo plano. O ideal é que eles sejam tratados em casa - e é nisso que alguns municípios começam a apostar.
Em São Paulo, que produz 6.300 mil toneladas diárias de resíduos orgânicos, a Prefeitura iniciou um programa de distribuição de composteiras caseiras, nas quais o cidadão pode transformar esse tipo de lixo em adubo. Dois mil desses equipamentos foram distribuídos, mas 10 mil pessoas se inscreveram no programa.
"Essa ação tem um prazo de 6 meses, é para entendermos o perfil do cidadão que adere a essa proposta de retenção do resíduo orgânico no domicílio, de forma que possamos ampliar isso para até 1 milhão de domicílios", conta Costa, que lembra que a cidade também tem uma iniciativa que pretende compostar os restos de alimentos das 880 feiras de rua na cidade.
Responsabilidade
Um ponto pouco debatido da Política Nacional de Resíduos Sólidos diz respeito a um incentivo direto à conscientização do valor gasto com a coleta e tratamento de lixo no Brasil; existe um prazo para que os municípios deixem claro que há um imposto dessa área. Cidades que têm essa "taxa do lixo" embutida em outros tributos, como IPTU, terão de separar essas cobranças. Isso tornará as responsabilidades sociais e financeiras de todos sobre esses serviços mais evidentes. São Paulo teve uma experiência conturbada com esse tipo de imposto durante a gestão de Marta Suplicy, mas especialistas acreditam que esse é o caminho correto.
O diretor-presidente do Instituto Akatu defende uma posição até mais incisiva na tentativa de conscientizar e determinar responsabilidades do cidadão. Para ele, a coleta de resíduos não deveria ser feita nas residências, mas sim a partir de pontos pré-determinados em cada bairro. Caberia a cada um levar o lixo até lá.
"Com isso se elimina uma parte grande do custo da coleta. Além de mais econômica, essa prática faria cada pessoa perceber mais o quanto de lixo ela realmente está gerando, porque terá de carregá-lo para cima e para baixo", afirma Mattar.
"Cada um de nós tem um papel, sim, de fazer escolhas mais conscientes para reduzir a pressão sobre os recursos naturais" - (Gustavo Lemos) 

Fonte: Paulo Terron

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Impacto de remédios na natureza


Nós, seres humanos, tomamos paracetamol para dor de cabeça, contraceptivos para evitar a gravidez e Prozac para a depressão.
Mas para onde vão os resíduos destas substâncias uma vez cumprida a sua função?
O corpo humano elimina muitos dos medicamentos que ingerimos através da urina. A urina vai para os esgotos e, depois de atravessar um sistema imperfeito de purificação, os resíduos desembocam nos rios que alimentam o planeta.
Embora as concentrações de drogas na água sejam baixas, as consequências destas para os ecossistemas não deixam de ser preocupantes: desde peixes machos que adquirem características femininas até aves selvagens que perdem a vontade de comer, além de populações inteiras de peixes e outros organismos aquáticos dizimadas.
Diversos estudos sobre o impacto da poluição farmacêutica sobre a vida selvagem apontam que o uso crescente de drogas projetadas para serem biologicamente ativas em baixas doses pode estar causando uma crise global da vida selvagem.
"As populações de muitas espécies que vivem em paisagens alteradas pelo homem estão encolhendo por razões que não podemos explicar completamente", disse a pesquisadora Kathryn Arnold, da Universidade de York, na Inglaterra.
"Acreditamos que é hora de explorar novas áreas, como a poluição farmacêutica."
Machos femininos
Para os seres humanos, no entanto, a presença de drogas em baixa concentração na água não é um problema: seria necessário tomar entre 10 milhões e 20 milhões de litros de água da torneira para ingerir medicação suficiente para, digamos, aliviar uma dor de cabeça.
No caso dos peixes, a história é outra.
O biólogo John Stumper, da universidade britânica de Brunel, foi um dos primeiros a estudar os peixes machos com características femininas descobertos na década de 90.
"A primeira coisa que descobrimos foi que havia muitos peixes nos rios que tinham proteína do sangue que é comumente conhecida como a gema. A síntese desta proteína no fígado é controlada pelo (hormônio) estrogênio", disse a Stumper à BBC.
Ele explica que mesmo os peixes machos - que não produzem quantidades significativas de estrogênio e, portanto, não têm gema - apresentavam uma alta concentração dessa proteína. "Especialmente aqueles que habitavam os rios perto de uma estação de tratamento ", notou Stumper.
"Uma vez que eram os machos que estavam se tornando mais femininos e não o contrário (fêmeas adotando características mais masculinas), achamos que a causa poderia ser o estrogênio."
Stumper estava certo: estudos posteriores confirmaram que essas mudanças estavam relacionadas à presença de resíduos de contraceptivos na água.
"Em nível molecular, os peixes são extremamente semelhantes a nós", disse o biólogo. Assim, quase todos os fármacos para seres humanos têm um efeito sobre os peixes.
Impactos
De acordo com um relatório da Agência Federal Ambiental da Alemanha, as drogas para os seres humanos que mais causam desequilíbrios ambientais são os hormônios, antibióticos, analgésicos, antidepressivos e drogas para combater o câncer.
Entre os medicamentos veterinários, o relatório destaca os hormônios, antibióticos e parasiticidas.
Assim como os hormônios sexuais sintéticos, os antidepressivos se dissolvem em gordura, não na água. Por isso, podem entrar na corrente sanguínea dos organismos expostos à água contaminada.
Um estudo de Kathryn Arnold que deve ser publicado no fim deste mês sugere que este fator está afetando o comportamento e a capacidade dos estorninhos, um tipo de pássaro, de se alimentar.
Arnold e colegas da Universidade de York analisaram como o Prozac impacta essas aves, que se alimentam de lagartas, vermes e moscas em áreas próximas a estações de tratamento de resíduos.
Estes organismos, por sua vez, se alimentam de alimentos encontrados na área - em geral, contendo altos níveis de fármacos, principalmente Prozac.
"No inverno, as aves tendem a consumir um bom café da manhã, beliscar ao longo do dia e comer bem antes de escurecer", disse a pesquisadora.
Sob o efeito do antidepressivo, elas não faziam isso: em vez de duas grandes refeições, elas comiam esporadicamente ao longo do dia e, no cômputo geral, comiam menos.
"Esse comportamento pode afetar o seu peso, os riscos que decidem correr ou não para obter alimentos e como se socializam", afirma a cientista.
"São variações pequenas e sutis mudanças que vão se somando e, no fim, podem comprometer a sobrevivência de uma espécie."
Uso excessivo
Se o problema tem origem na água de resíduos, talvez a solução passe por reduzir a presença de farmacêuticos que vai parar em rios e córregos.
Pode-se, por exemplo, desenvolver métodos mais eficientes de tratamento da água. Mas esta pode ser uma solução cara e gerar um gasto de energia muito elevado.
Ole Phal, professor da Universidade de Glasgow Caledonian, defende uma abordagem que inclua uma discussão sobre a produção e o uso de medicamentos.
"Estamos tomando (medicamentos) demais? Estamos utilizando-os corretamente? Existe alguma maneira de se desfazer deles que seja mais benéfica para o meio ambiente?", questiona Phal.
"Precisamos refletir sobre o nosso uso de drogas farmacêuticas." 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Como você pode ajudar o Meio Ambiente


A consciência ambiental e a conservação da natureza devem ser exercitadas não só pela sociedade, mas também por cada um de nós em nosso cotidiano. Ao fazer nossa parte em casa, no trabalho e mobilizando as pessoas que nos são próximas, estamos colaborando para um planeta mais saudável. Leia e repasse para amigos e familiares estas dicas simples de conservação. Ajude-nos neste esforço e contribua para a salvar a natureza no Brasil e no mundo!
Conheça os benefícios da coleta seletiva
Papel
•A cada 28 toneladas de papel reciclado evita-se o corte de 1 hectare de floresta (1 tonelada evita o corte de 30 ou mais árvores);
•A produção de uma tonelada de papel novo consome de 50 a 60 eucaliptos, 100 mil litros de água e 5 mil KW/h de energia. Já uma tonelada de papel reciclado consome 1.200 Kg de papel velho, 2 mil litros de água e 1.000 a 2.500 KW/h de energia;
•A produção de papel reciclado dispensa processos químicos e evita a poluição ambiental: reduz em 74% os poluentes liberados no ar e em 35% os despejados na água, além de poupar árvores;
•A reciclagem de uma tonelada de jornais evita a emissão de 2,5 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera;
•O papel jornal produzido a partir das aparas requer 25% a 60% menos energia elétrica do que a necessária para obter papel da polpa da madeira.
Metais
•A reciclagem de 1 tonelada de aço economiza 1.140 Kg de minério de ferro, 155 Kg de carvão e 18 Kg de cal;
•Na reciclagem de 1 tonelada de alumínio economiza-se 95% de energia (são 17.600 kw/h para fabricar alumínio a partir de matéria-prima virgem, contra 750 kw/h a partir de alumínio reciclado) e 5 toneladas de bauxita, além de evitar a poluição causada pelo processo convencional, reduzindo 85% da poluição do ar e 76% do consumo de água;
•Uma tonelada de latinhas de alumínio, quando recicladas, economiza 200 metros cúbicos de aterros sanitários;
•Vale lembrar que 96% das latas no Brasil são recicladas, superando os índices de países como o Japão, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. Entretanto, este número pode chegar próximo a 100% dependendo de suas atitudes!
Vidro
•O vidro é 100% reciclável, portanto não é lixo: 1 kg de vidro reciclado produz 1 kg de vidro novo;
•As propriedades do vidro se mantêm mesmo depois de sucessivos processos de reciclagem, ao contrário do papel, que vai perdendo qualidade ao longo de algumas reciclagens;
•O vidro não se degrada facilmente, então não deve ser despejado no solo;
•O vidro, em seu processo de reciclagem, requer menos temperatura para ser fundido, economizando aproximadamente 70% de energia e permitindo maior durabilidade dos fornos;
•Uma tonelada de vidro reciclado evita a extração de 1,3 toneladas de areia, economiza 22% no consumo de barrilha (material importado) e 50% no consumo de água.
Plásticos
•Todos os plásticos são derivados do petróleo, um recurso natural não renovável e altamente poluente;
•A reciclagem do plástico economiza até 90% de energia e gera mão de obra pela implantação de pequenas e médias indústrias;
•100 toneladas de plástico reciclado evitam a extração de 1 tonelada de petróleo.
Cuide dos recursos hídricos
•Conserte torneiras que estiverem pingando. Isso poderá evitar o desperdício de até 45 litros de água por dia.
•Instale torneiras com aerador - "peneirinhas" ou "telinhas" - na saída da água. Assim você acaba utilizando menos água.
•Evite utilizar a mangueira para limpar jardins, calçadas, passeios e quintais. Use uma vassoura para executar essa tarefa. É mais rápido e não gasta água.
•Utilize um regador para molhar as plantas. Quando a mangueira é utilizada para este fim, muita água é desperdiçada.
•Substitua a mangueira por um balde e um pano para lavar seu veículo. O consumo de água será muito menor.
•Desligue a mangueira quando não estiver sendo usada. Isso evita o desperdício de água.
•Feche a torneira enquanto ensaboa as mãos, escova os dentes ou faz a barba. Não desperdice água.
•Colete água da chuva para regar suas plantas. Assim você não gasta água encanada. Mas lembre-se de armazená-la em um recipiente fechado para evitar a proliferação do mosquito da dengue.
•Lave a louça em uma bacia com água e sabão e abra a torneira só para enxaguar. É mais barato e melhor para o meio ambiente.
•Conserte vazamentos nos canos em sua casa assim que detectá-los. Sua conta de água diminuirá e o meio ambiente agradecerá.
•Junte as roupas para lavar e passar. Desta maneira, você gasta menos água e menos energia elétrica.
Economize água na sua casa
Vazamentos
Esta é uma das principais fontes de desperdício de água na residência. Eles podem ser evidentes (como uma torneira pingando) ou escondidos (no caso de canos furados ou de vaso sanitário). Uma torneira mal fechada pode desperdiçar 46 litros de água em um dia. Com uma abertura de 1 mililitro, o fiozinho de água escorrendo será responsável pela perda de 2068 litros de água em 24 horas.
No caso de vazamentos em vasos sanitários, verifique se há água escorrendo. Para isso, jogue cinzas, talco ou outro pó fino no fundo da privada e observe por alguns minutos. Se houver movimentação do pó ou se ela sumir, há vazamento. Outra forma de detectar um vazamento é através do hidrômetro (ou relógio de água) da casa. Para tanto, siga os seguintes passos:
•Feche todas as torneiras e desligue os aparelhos que usam água na casa (só não feche os registros na parede, que alimentam as saídas de água).
•Anote o número indicado no hidrômetro e confira depois de algumas horas para ver se houve alteração ou observe o círculo existente no meio do medidor (meia-lua, gravatinha, circunferência dentada) para ver se continua girando.
•Se houver alteração nos números ou movimento do medidor, há vazamento.
•Caso seja viável, instale redutores de vazão em torneiras e chuveiro.
Banho
Ao ensaboar-se, feche as torneiras. Não deixe a torneira aberta enquanto ensaboa as mãos, escova os dentes ou faz a barba. Evite banhos demorados. Reduzindo 1 minuto do seu banho você pode economizar de 3 a 6 litros de água. Imagine numa cidade onde vivem aproximadamente 2 milhões de habitantes. Poderíamos ter uma economia de, no mínimo, 6 milhões de litros.
Vaso sanitário
Quando construir ou reformar, dê preferência às caixas de descarga no lugar das válvulas; ou utilize aquelas de volume reduzido. Não deixe a descarga do banheiro disparar (no caso de acionados por válvulas).
Torneiras
Instale torneiras com aerador ("peneirinhas" ou "telinhas" na saída da água). Ele dá a sensação de maior vazão, mas, na verdade, faz exatamente o contrário.
Louça
Lave as louças em uma bacia com água e sabão e abra a torneira só para enxaguar. Use uma bacia ou a própria cuba da pia para deixar os pratos e talheres de molho por alguns minutos antes da lavagem, pois isto ajuda a soltar a sujeira. Utilize água corrente somente para enxaguar.
Verduras
Para lavar verduras use também uma bacia para deixá-las de molho (pode ser inclusive com algumas gotas de vinagre), passando-as depois por um pouco de água corrente para terminar de limpá-las.
Roupa
Lave de uma vez toda a roupa acumulada. Deixar as roupas de molho por algum tempo antes de lavar também ajuda. Ao esfregar a roupa com sabão use um balde com água, que pode ser a mesma usada para manter a roupa de molho. Enquanto isso, mantenha a torneira do tanque fechada. Enxague também utilizando o balde e não água corrente. Se você tiver máquina de lavar, use-a sempre com a carga máxima e tome cuidado com o excesso de sabão para evitar um número maior de enxágues. Caso opte por comprar uma lavadora, prefira as de abertura frontal que gastam menos água que as de abertura superior.
Jardins e plantas
Regar jardins e plantas durante 10 minutos significa um gasto de 186 litros. Você pode economizar 96 litros se tomar estes cuidados:
•Regue o jardim durante o verão pela manhã ou à noite, o que reduz a perda por evaporação;
•Durante o inverno, regue o jardim em dias alternados e prefira o período da manhã;
•Use uma mangueira com esguicho tipo revólver;
•Cultive plantas que necessitam de pouca água (bromélias, cactos, pinheiros, violetas);
•Molhe a base das plantas, não as folhas;
•Utilize cobertura morta (folhas, palha) sobre a terra de canteiros e jardins. Isso diminui a perda de água;
Água da chuva
Aproveite sempre que possível a água de chuva. Você pode armazená-la em recipientes colocados na saída das calhas ou na beirada do telhado e depois usá-la para regar as plantas. Só não se esqueça de deixá-los tampados depois para que não se tornem focos de mosquito da dengue!
Carro
Substitua a mangueira por um balde com pano para retirar a sujeira do veículo. Lavar o carro com a torneira aberta é uma das piores e mais comuns maneiras de desperdiçar água.
Calçada
Evite lavar a calçada. Limpe-a com uma vassoura, ou lave-a com a água já usada na lavagem das roupas. Utilize o resto da água com sabão para lavar o seu quintal. Depois, se quiser, jogue um pouco de água no chão, somente para "baixar a poeira". Para isto você pode usar aquela água que sobrou do tanque ou máquina de lavar roupas.
Mobilize seus amigos e vizinhos
Se você mora em apartamento, estimule seus vizinhos a economizar água e cobre vistorias do condomínio. Assim você gasta menos e ainda ajuda ao meio ambiente.
Energia
•Desligue as luzes dos ambientes vazios, evite o desperdício de energia.
•Procure utilizar a luz natural nos ambientes. Você economiza energia elétrica e torna o local mais agradável.
•Desligue todos os equipamentos que não estiverem em uso e evite o desperdício de energia.
•Troque as lâmpadas convencionais de sua casa por lâmpadas eficientes. Elas consomem até 75% menos e duram até dez vezes mais. Você verá a diferença já na próxima conta de luz.
•Retire os eletroeletrônicos como TV, som e micro ondas da tomada sempre que possível. As luzinhas vermelhas ou relógios digitais que indicam que o aparelho está em stand by, gastam bastante energia.
•Ligue o ar condicionado somente quando necessário. Se for usar o aparelho, programe-o para 25º C, uma temperatura agradável. Assim, você gasta menos energia e poupa o seu bolso e o meio ambiente.
•Verifique sempre se os filtros do aparelho de ar condicionados estão limpos. Faz bem à sua saúde, o aparelho trabalha de forma mais eficiente e economiza energia elétrica.
•Evite tomar banho entre 18h e 20h30 se utilizar chuveiro elétrico. Neste horário, 18% de toda a energia elétrica gerada no país é utilizada pelos chuveiros elétricos. Esse hábito torna necessária a construção de mais usinas elétricas.
•Evite utilizar o chuveiro elétrico na opção inverno, pois o consumo de energia é muito maior.
•Quando comprar eletrodomésticos, prefira aparelhos com o selo Procel. Isso indica que o aparelho consome menos energia.
•Troque a borracha da geladeira sempre que preciso. É uma medida que conserva seu eletrodoméstico e evita o desperdício de energia elétrica.
•Evite colocar alimentos quentes na geladeira, quando isso acontece, o refrigerador gasta mais energia elétrica.
•Tome banhos rápidos. Você economiza água e energia.
•Desligue o chuveiro ao se ensaboar e passar xampu. Ajuda a economizar água e energia.
•Procure utilizar as escadas em vez do elevador. Você economiza energia e gasta calorias.
•Retire o carregador de celular da parede quando não usado. Ele continua consumindo energia só por estar ligado na tomada.
•Dê preferência sempre à energia solar, que é limpa e eficiente, para aquecer a água de casa. A economia que você terá em sua conta de luz cobre o custo da instalação do equipamento em até três anos.
Consumo responsável
•Dê preferência a produtos de madeira com o selo FSC. Esta é a garantia de que a madeira foi retirada corretamente. O desmatamento é o principal responsável por nossas emissões de gases causadores do efeito estufa. Ao comprarmos produtos sustentáveis, diminuem os incentivos para desmatar a floresta.
•Consuma alimentos da estação e dê preferência aos orgânicos, que não utilizam agrotóxicos. Assim você cuida da sua saúde e do meio ambiente.
•Evite pegar sacolas plásticas desnecessariamente. Carregue uma sacola ou uma mochila com você quando for fazer compras. Assim estará gerando menos lixo.
•Dê preferência a produtos com pouca embalagem ou embalagem econômica que geram menos lixo.
•Procure comprar produtos fabricados perto de onde são vendidos. Desta maneira, os produtos não precisam ser transportados por longas distâncias e, consequentemente, não há emissões desnecessárias de gases causadores do aquecimento global.
•Use pilhas recarregáveis, Assim, você evita poluir o meio ambiente e gasta menos.
•Descarte as pilhas em locais apropriados de coleta e não no lixo comum.
•Leve as baterias usadas de celulares para as revendedoras. Elas não devem ser jogadas no lixo comum, pois contêm metais pesados altamente tóxicos para a saúde humana e o meio ambiente.
•Evite substituir seu aparelho celular desnecessariamente Além de gastar dinheiro, você estará contribuindo para uma maior poluição do planeta.
•Evite comprar o que você não precisa para não gerar mais lixo. Para facilitar, faça uma lista prévia. Além de economia, terá menos lixo.
•Procure melhorar seu computador ao invés de comprar um novo. Anualmente, mais de 20 milhões de toneladas de lixo eletrônico são descartados. A maioria ainda não é reciclada.
•Prefira comprar em lojas que adotem práticas sócio ambientais corretas.
•Use tintas a base de água para pintar sua casa. Elas são menos tóxicas e menos poluentes.
•Dê preferência a guardanapos e toalhas de pano ao invés de descartáveis.
•Use os dois lados da folha de papel.
•Imprima e-mails e documentos somente quando necessário.
•Não pegue panfletos entregues na rua a não ser que esteja interessado nas informações. Se pegar, não jogue na rua depois de tê-lo lido.
•Utilize calculadoras e lanternas que possam funcionar com energia solar ou dínamo. Desta maneira não é necessário usar pilhas.
Reutilização e reciclagem
Dicas gerais
•Seja solidário: doe roupas, sapatos e aparelhos que não usa mais. Eles podem ser úteis para outras pessoas.
•Conserte os eletroeletrônicos sempre que possível para evitar comprar novos e gerar mais lixo.
•Procure comprar produtos que permitam a reutilização das embalagens com refil.
•Dê preferência a produtos fabricados com materiais reciclados. Desta maneira, você estará reduzindo o uso da matéria-prima, gastando menos energia e ajudando o planeta.
•Guarde o lixo com você até encontrar um local adequado caso estiver na rua.
•Separe o lixo e mande-o para a reciclagem. Separando o lixo, você estará gerando emprego para catadores e dando oportunidade a reciclagem de materiais.
•Utilize talheres, copos e pratos de louça. Os descartáveis geram lixo e demoram a se decompor.
•Tenha em casa uma pequena composteira com restos orgânicos como cascas de frutas, legumes e folhas. Ela produz adubo natural para o seu jardim e de seus vizinhos.
Transportes
•Prefira o transporte público. Além de ser menos poluente, você evitará parte do estresse do dia-a-dia.
•Pegue carona com seus amigos e dê carona quando possível, assim você joga menos gases poluentes na atmosfera.
•Opte pela bicicleta ou caminhe sempre que possível. Você evita o desperdício de energia e ainda queima calorias!
•Faça revisões regulares do seu carro. Quando o carro está bem regulado, ele joga menos gases poluentes na atmosfera e ainda fica mais econômico.
•Mantenha os pneus do carro bem calibrados, pois diminui o consumo de combustível e isso ajuda a poluir menos o meio ambiente.
•Prefira veículos Flex quando comprar um carro novo. O álcool polui menos o meio ambiente e é melhor para o clima do planeta que a gasolina.
•Quando parar por mais de dois minutos, desligue o motor do seu carro e evite jogar gases poluentes no ar.
•Utilize o ônibus ao fazer viagens curtas, a trabalho ou turismo. Ele emite menos gases poluentes que o avião.  

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Brasil: país que não cumpre suas leis apenas ganham tempo ampliando seus prazos


Entenda o que a Lei 12.305 sugeria
A Lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), demorou 19 anos para ser votada no Congresso. O desafio de acabar com os lixões, implementar planos de logística reversa e responsabilidade compartilhada entre cada integrante da cadeia produtiva (empresas, governo e consumidores) não justifica quase duas décadas para a matéria virar instrumento jurídico, mas a implementação da lei, tendo como primeiro teste a apresentação dos planos das prefeituras periga transforma-la em letra morta.
De acordo com a legislação, até agosto 2014 deveriam ser eliminados todos os lixões do Brasil. Para isso, será preciso implantar aterros sanitários, o que não se faz da noite para o dia. As cidades e estados que não tiverem plano de gestão não vão poder solicitar recursos para fazer isso.
Segundo estimativa da Confederação Nacional dos Municípios, mais da metade dos municípios brasileiros ainda não elaboraram os planos de gestão de resíduos.
Vergonha a moda Brasileira
3 de agosto de 2014. Esta foi a data limite para o fim dos depósitos de lixo a céu aberto (os populares "lixões"). O prazo foi estabelecido pela "Lei do Lixo" (especificamente o artigo nº 54 da Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS). Isso significa que os municípios brasileiros, para se adequar a nova legislação, teriam que criar leis municipais para a implantação da coleta seletiva.
Em uma nota, segundo Silvano Costa (Diretor do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente), sobre uma possível previsão de quando a PNRS estará sendo aplicada em todos os seus níveis:
"Há uma meta na Lei, um prazo para que os lixões sejam eliminados, que é Agosto de 2014. O Governo Federal tem se esforçado para cumprir sua parte, mas isso também depende muito dos municípios. Aí vai ter que ser feita uma ação importante para a implantação dos aterros, fazer a inclusão dos catadores nesses locais, retirando-os dos lixões. É uma meta difícil, mas não impossível de ser batida. Em 2000, 35% dos resíduos gerados acabavam em aterros. Em 2008, este índice saltou para 58%. Houve uma redução significativa dos resíduos que iam para os lixões e um aumento dos que vão para aterros controlados – isso em um período que não tinha tantos investimentos do Estado, e tampouco lei específica, o que nos deixa otimistas".
Infelizmente viver de otimismo no Brasil demanda da boa vontade em conjunto e quando isso não ocorre, alem das frustrações vem o relaxamento para com as leis e por fim acabam sendo engavetadas, e neste caso quem paga com isso é o Meio Ambiente.
Como esta a situação
O Brasil tem atualmente 2.202 municípios com aterros sanitários, o que representa 39,5% das cidades do país. Apesar de mais da metade das cidades ainda terem lixões, 60% do volume de resíduos já está com destinação adequada.
Isso não descarta com a extensão dos prazos, estes assuntos serem engavetados, pois o brasileiro já esta acostumado a deixar para fazer as coisas sempre em último momento.
Será que tudo acabara em pizza
As prefeituras terão mais quatro anos para colocar fim aos lixões, criando aterros sanitários, segundo emenda incluída no texto da MP (Medida Provisória) 651, em tramitação no Congresso. O prazo para que os municípios se adequassem à Lei de Resíduos Sólidos, promulgada em 2010, terminou em agosto deste ano.
Boa parte das prefeituras, contudo, não seguiu as determinações. A lei prevê multa e até prisão aos prefeitos no caso de descumprimento.
A emenda que permite o alongamento do prazo foi incluída nesta quinta-feira  9 de outubro de 2014 numa errata, publicada após a aprovação da proposta de conversão da MP em lei pela Comissão Mista criada para apreciá-la. O texto estabelece que as prefeituras tenham até 2018 para implantar a "disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos".
Também houve alteração no artigo que previa o bloqueio do acesso a recursos e financiamentos da União por Estados e municípios sem plano de resíduos sólidos formulados.
Desde 2012, tal condição já poderia ser exigida na liberação de recursos. Agora, somente a partir de 2016.
A MP tem de ser apreciada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado até o dia 6 de novembro ou perderá a validade.
O texto traz alterações na tributação de operações na Bolsa, estabelece créditos tributários a exportadores e prevê novo prazo para adesão ao Refis (programa de parcelamento de débitos com a União), entre outras determinações.
Lixões na ativa
O governo já vinha acenando com a flexibilização das punições às prefeituras que não haviam cumprido as exigências da lei. Alegando incapacidade técnica para executar os projetos e falta de dinheiro para implantar os aterros, a maior parte dos municípios manteve os lixões.
Matéria da Folha de São Paulo publicada em agosto 2014, mostrou que dos 34 maiores lixões do país, 20 continuavam a funcionar, apesar de o prazo estipulado por lei para o fim desses depósitos irregulares ter expirado.
Nota
Durante a tarde, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi pessoalmente ao Congresso para se encontrar com Alves a fim de expressar a contrariedade do governo com a prorrogação do prazo para cumprimento da Lei de Resíduos Sólidos.  A lei, que é de 2010, fixou o mês de agosto 2014 como prazo máximo para a substituição dos lixões por aterros sanitários.
No plenário, a maioria dos partidos votou para dar mais tempo aos municípios sob o argumento de que ainda não estão preparados nem dispõem de recursos para a construção de aterros sanitários. O PV, o PSOL, o PP e o Pros foram os únicos partidos que discordaram da ampliação do prazo e queriam a aplicação imediata da Lei de Resíduos Sólidos. (Fonte: G1) 

Fonte: www.gazetadopovo.com.br e Luiz Henrique Lopes

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

IMPACTOS AMBIENTAIS EM BIOMAS BRASILEIROS


Os impactos ambientais em território brasileiro assumem uma dimensão mais preocupante em virtude de, por sua posição geográfica, o nosso país abrigar ecossistemas de clima tropical dotados da maior biodiversidade mundial.
A natureza no Brasil tem sido agredida desde o inicio de sua colonização. A faixa litorânea foi a primeira a ser atingida. A mata Atlântica teve mais de 90% de sua área original derrubada para o estabelecimento de cidades, da atividade agropecuária e, posteriormente, do parque industrial brasileiro. Mangues e vegetação de praias e dunas também foram muito afetados. Construção de portos e de casas de veraneio, exploração turística, extração do sal e pesca predatória foram atividades que complementaram o estrago causado pelo homem em ecossistemas litorâneos.
Outros ecossistemas tiveram seu equilíbrio ecológico rompido pelas atividades que ai então se desenvolvimento, como a mineração em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso e a criação de gado no sertão nordestino, no Sul e mais tarde no Centro-Oeste.
Nas décadas de 1950 e 1970, a construção de Brasília, de rodovias e de usinas hidrelétricas e a instalação de projetos agropecuários e de mineração causaram fortes impactos ambientais nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Nas ultimas décadas, as grandes cidades brasileiras tem sofrido muito com a degradação do ar atmosférico, dos mananciais e dos solos. Acesso à moradia, à coleta e tratamento de lixo e ao saneamento básico são os principais indicadores dessas desigualdades presentes no nosso país, ao mesmo tempo que funcionam como elementos agravadores dos impactos ambientais urbanos.
DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE
Os países desenvolvidos, como os europeus, os Estados Unidos e o Japão, alteraram profundamente seu meio ambiente, mas, depois de certo tempo, adotaram medidas para atenuar esses impactos através de severas leis ambientais. Na verdade, esses países foram também responsáveis pela devastação dos recursos naturais de suas antigas colônias, hoje nações independentes. As metrópoles, através das políticas do mercantilismo (colonialismo) e do capitalismo (imperialismo), utilizaram esses recursos em beneficio próprio.
Depois da Segunda Guerra Mundial, em sua expansão, as empresas transnacionais não tinham o meio ambiente como principal preocupação ao instalar suas unidades de produção nos novos países industrializados.
IMPACTOS AMBIENTAIS NA AMAZONIA
Atualmente, o desmatamento é o principal responsável pela avançada destruição desse bioma, onde as queimadas preparam os terrenos para os grandes projetos agropecuários. Dados recentes da WWF salientam que 15% da Amazônia foi destruída. E o que é mais grave: o novo Código Florestal Brasileiro pode acelerar essa destruição, pois prevê que áreas maiores de mata possam ser desmatadas na Amazônia.
Desde a década de 1940, a região tem sido alvo de projetos agropecuários incentivados pelo governo. Na década de 1970, houve uma intensificação desses projetos. Queimadas e desmatamentos foram os métodos utilizados para a abertura de pastos.

Outros fatores também foram responsáveis pela degradação da região: Construção de usinas hidrelétricas (Tucuraí, Balbina, Samuel e outras); Extração de madeira para exportação para o Japão e a Europa; Crescimento demográfico; Garimpos de ouro; Extrativismo mineral; Construção de rodovias e ferrovias.
IMPACTOS AMBIENTAIS NO CERRADO
Atingido pela construção de Brasília e das rodovias que passaram a integrar a nova capital ao resto do país, esse bioma vem rapidamente sendo degradado por causa do crescimento da agropecuária, notadamente nos últimos anos. Segundo o WWF, o cerrado perdeu 80% de sua vegetação original.
A pecuária, que ocupa 60% do cerrado, e o cultivo da soja, que representa 45,3% do total plantado no país, causaram vários impactos ambientais nesse bioma, como: o assoreamento do leito dos rios; a poluição em algumas nascentes de rios das bacias Amazônica e do São Francisco causada pelos agrotóxicos utilizados nas plantações; e a destruição de grandes áreas de vegetação original, em razão do aumento das rodovias e do grande crescimento populacional.
IMPACTOS AMBIENTAIS NA MATA ATLÂNTICA
Desde a extração do pau-brasil até o vertiginoso crescimento urbano-industrial brasileiro, não temos muito o que comemorar: estatísticas atuais dão conta que 90% da floresta, que se estendia no Rio Grande do Sul, já foi destruída.Alem disso, os pontos remanescentes estão localizados em locais de difícil acesso.
As cidades e a necessidades de terras para o cultivo de cana-de-açúcar, cacau e café causaram a derrubada da mata original. Os principais impactos ambientais decorrentes dessa destruição foram: poluição das águas fluviais e subterrâneas, contaminação e erosão do solo e poluição do ar atmosférico. Além das cidades e regiões metropolitanas, o espaço ocupado antigamente pela mata Atlântica abriga hoje as grandes regiões industriais, os complexos petrolíferos e os maiores portos do país.
Suas maiores áreas preservadas estão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, nas serras do Mar e da Mantiqueira, em virtude do relevo acidentado que torna difícil a ocupação humana.
Quanto à mata da Araucária, a retirada da madeira – para a produção de móveis e de papel de jornal – e a agropecuária são os principais fatores de sua devastação acentuada. Da década de 1930 até hoje 100 mil pinheiros foram derrubados.
IMPACTOS AMBIENTAIS NA CAATINGA
A ocupação do Sertão nordestino foi feita no período denominado ciclo do gado, assim chamado por ter na pecuária sua principal atividade econômica.
A atividade pecuária foi complementar à grande riqueza da época – a cana – de – açúcar – e desenvolveu-se ao longo do rio São Francisco (rio dos Currais) durante os séculos XVI, XVII E XVIII.
A forma extensiva com que foi realizada, sem maiores cuidados com os solos utilizados, tornou a pecuária não só a responsável pelo povoamento do sertão, mas uma das principais causas da devastação da caatinga, bioma característico dessa área.
A maior parte da caatinga já desapareceu, e 68% sofreram profundas alterações causadas pelo homem. Do que restou, cerca de 3% recebe algum tipo de proteção ambiental.
Os grandes latifundiários são os grandes responsáveis por essa degradação, pois alem de desmatar a vegetação original, monopolizam o uso dos açudes, provocando seu assoreamento. As águas do São Francisco, o único rio perene da região, são usadas para a irrigação, provocando a salinização do solo. Aos pequenos proprietários, resta viver em extrema miséria ou migrar para as capitais nordestinas e outras regiões brasileiras.
Outro problema ambiental refere-se ao processo de desertificação de grandes áreas da caatinga, provocado pelo desmatamento da vegetação nativa (agropecuária e lenha) e pela degradação do solo. Alem disso, vários tipos de indústria utilizam espécies arbóreas nativas para a produção de energia.
IMPACTOS AMBIENTAIS NOS CAMPOS SULINOS
A criação de gado deteriora os solos e seu uso prolongado causa a erosão e a arenização. A agropecuária, através do uso excessivo, prolongado e inadequado do solo, provoca o seu empobrecimento, dificultando o surgimento de uma nova vegetação. Está aberto o caminho para o processo de arenização.
O cultivo da soja e do trigo na Campanha Gaúcha também provoca o desgaste do solo e sua erosão. Muitas vezes, as queimadas antecipam o cultivo agrícola, diminuindo ainda mais a matéria orgânica dos solos e as áreas ocupadas pelos campos.
IMPACTOS AMBIENTAIS NO PANTANAL
O crescimento desorganizado do turismo no Pantanal tem sido uma agravante da degradação ambiental nos ecossistemas da região, uma vez que traz problemas até então desconhecidos, com: o lixo produzido pelos turistas, que é jogado nos rios e que pode contaminar e até matar a fauna e a flora local; a construção de pousadas e hotéis, rodovias, hidrovias e aeroportos, que ocupam áreas de vegetação nativa; e esgotos não tratados, que são lançados nos cursos de água.
Alem do ecoturismo desordenado, outras atividades tradicionais na região, como a agricultura e a pecuária extensiva alteram o meio ambiente ao provocar desmatamento do leito dos rios. Garimpos e a pesca predatória nos rios do Pantanal agravam ainda mais a destruição da natureza no bioma.
IMPACTOS AMBIENTAIS NOS MANGUEZAIS E NAS RESTINGAS
Os manguezais e as restingas são ecossistemas de “alta produtividade biológica “ que estão entre os mais degradados de nosso país.
Sua localização foi decisiva para explicar essa devastação, isto é, abrangem a faixa costeira, que é a mais populosa do Brasil.
Diversas ações humanas combinadas afetam os manguezais e as restingas, como:
• a expansão urbana desordenada, que polui suas águas e solos;
• o derramamento de petróleo nas refinarias e nos terminais de embarque e desembarque da Petrobras e dos polos petroquímicos localizados em suas áreas.
• a grande concentração de capitais estaduais pelo litoral, com o lançamento de esgotos e a movimentação de importantes portos;
• a pesca predatória, a ocupação irregular do solo e a poluição causada por polos indústrias instalados em áreas litorâneas;
• o crescimento da rede hoteleira em decorrência da atividade turística.
POLITICA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
A preservação do meio ambiente no Brasil, em virtude da importância se seus ecossistemas, não diz respeito apenas aos nossos governantes, mas é de responsabilidade mundial.
Entretanto, a conscientização de nossa população é essencial para essa preservação. Grande número de brasileiros, apesar das campanhas educativas de sensibilização para a causa ambiental, ainda não se vê como parte integrante do meio ambiente, causando impactos ambientais de trágicas consequências em nossos ecossistemas.
O IBAMA é o órgão oficial encarregado da preservação dos biomas e ecossistemas brasileiros. Para realizar sua tarefa, apoiado na Constituição Federal, dividiu o território brasileiro em unidades de conservação, que são “espaços territoriais e seus recursos naturais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, instituídos pelo poder publico, com objetivos de conservação e limites.